Em conversa com Trump, Lula pede fim completo do “tarifaço” e cooperação contra crime organizado

Presidente elogiou retirada parcial de sobretaxas e pediu aceleração das negociações para retirar os produtos restantes da lista

Imagem: Oleksii Liskonih

Imagem: Oleksii Liskonih

Em telefonema de 40 minutos nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente norte-americano Donald Trump a retirada completa da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e reforçou a necessidade de cooperação no combate ao crime organizado internacional. Lula classificou a conversa como “muito produtiva” e os dois líderes concordaram em voltar a conversar em breve sobre esses temas.

Progresso e pendências no “tarifaço”

Lula elogiou a decisão dos Estados Unidos, anunciada em novembro, de retirar a sobretaxa de 40% sobre 238 produtos brasileiros, incluindo carne, café e frutas tropicais. No entanto, o presidente destacou que 22% das exportações brasileiras para os EUA ainda permanecem sujeitas às tarifas adicionais e que o Brasil deseja “avançar rápido” nas negociações para retirar os itens restantes.

Entre os produtos que ainda sofrem com a sobretaxa estão:

  • Café instantâneo/solúvel;
  • Produtos têxteis e vestuário de lã;
  • Aeronaves e peças (exceto especificações civis);
  • Equipamentos de terraplanagem;
  • Produtos eletrônicos e transformadores;
  • Pneus e borracha industrializada.

A sobretaxa reduziu as exportações brasileiras de calçados para os EUA em cerca de 30% em outubro, segundo o setor, com 310 mil pares a menos exportados em relação à média histórica para o mês.

Cooperação contra o crime organizado

Outro ponto central da conversa foi o combate ao crime organizado. Lula destacou as recentes operações realizadas no Brasil para “asfixiar financeiramente” as organizações criminosas e identificou ramificações que operam a partir do exterior. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia alertado sobre o uso do estado de Delaware, nos EUA, como um “paraíso fiscal” para evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Segundo o Planalto, Trump demonstrou “total disposição” em trabalhar em conjunto com o Brasil e prometeu “todo o apoio” a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas.

Para relembrar: contexto das relações bilaterais

  • Abril/2025: EUA impõem tarifa de 10% a países com quem têm déficit comercial (incluindo Brasil).
  • Agosto/2025: Sobretaxa adicional de 40% é aplicada em retaliação a decisões que, segundo Trump, prejudicariam big techs americanas e em resposta ao julgamento de Bolsonaro.
  • Setembro/2025: Encontro entre Lula e Trump na ONU em Nova York, com elogios do americano à “química excelente”.
  • Outubro/2025: Reunião na Malásia, onde Trump teria concordado em fazer uma negociação rápida.
  • Novembro/2025: Casa Branca anuncia remoção parcial das sobretaxas.

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