Foto: Andrey Popov/iStock
Apesar de avanços na renda média, as desigualdades salariais por gênero e raça persistem de forma acentuada no mercado de trabalho brasileiro, inclusive nos cargos mais altos. É o que revela a Síntese de Indicadores Sociais 2025, divulgada nesta quarta-feira (3) pelo IBGE.
Os dados de 2024 mostram que, na média geral, os trabalhadores brancos recebem 65,9% a mais que os pretos ou pardos. A diferença de gênero também é expressiva: os homens ganham, em média, 27,2% a mais que as mulheres.
Desigualdade se amplia no topo
A disparidade se torna ainda mais gritante quando analisados os cargos de direção e gerência, que têm os maiores salários. Nessa posição:
- Diretores e gerentes brancos recebem R$ 9.831, enquanto os negros ganham R$ 6.446, uma diferença de 34% (ou R$ 3.385 a menos).
- Homens nessas funções têm rendimento médio de R$ 10.073, contra R$ 6.776 das mulheres.
Outro grupo com grande desigualdade é o de profissionais das ciências e intelectuais, onde brancos ganham R$ 7.412, e negros, R$ 5.192.
Distribuição desigual da força de trabalho
O estudo também evidencia uma segregação ocupacional. Enquanto os homens se concentram mais em trabalhos industriais e da construção (19,9%), as mulheres predominam em serviços e vendas (29,8%).
A divisão por raça é similar: 17,7% dos trabalhadores brancos estão em cargos de ciências e intelectuais, ante apenas 8,6% dos negros. Por outro lado, 20,3% dos negros exercem ocupações elementares (de menor qualificação e remuneração), percentual quase o dobro dos brancos (10,9%).
Educação não anula o abismo
Ter ensino superior completo não elimina a desigualdade. Nesse nível de instrução, os brancos recebem R$ 43,20 por hora, valor 44,6% superior aos R$ 29,90 dos negros. Na comparação de gênero com diploma, a diferença a favor dos homens chega a 45,3%. E a informalidade também demonstra disparidade: a taxa no país é de 40,6%, mas afeta desproporcionalmente os trabalhadores negros (45,6%) em comparação com os brancos (34%).







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