Foto: Divulgação/Wolbito
O pesquisador brasileiro Luciano Moreira foi incluído na lista Nature’s 10, que destaca as pessoas que mais influenciaram a ciência global em 2025. O reconhecimento vem por seu trabalho pioneiro no desenvolvimento e implementação do Aedes aegypti com Wolbachia, bactéria que bloqueia a transmissão de dengue, zika e chikungunya.
Impacto comprovado nos números
Em cidades onde os mosquitos “do bem” foram liberados, os casos de dengue caíram até 89%, segundo estudo publicado na The Lancet. A média de redução ficou em 63% nas 16 cidades brasileiras que já adotam a tecnologia.
Moreira comanda hoje a maior fábrica de mosquitos do mundo, em Curitiba, que produz 5 bilhões de insetos por ano. A unidade opera com uma lógica inusitada: consome mais de 70 litros de sangue semanalmente para alimentar as colônias.

Como a tecnologia funciona
A Wolbachia, bactéria presente naturalmente em outros insetos, é introduzida nos ovos do Aedes aegypti. Uma vez no organismo do mosquito, ela impede que vírus como o da dengue se repliquem. Como a fêmea infectada passa a bactéria para os ovos, a proteção se perpetua nas novas gerações.
Do ceticismo à política pública
No início, Moreira ouviu de um gestor de Niterói que “isso nunca iria funcionar”. Após apresentar evidências, o município aceitou a liberação e registrou a queda recorde de 89% nos casos. O método foi posteriormente reconhecido como política pública nacional pelo Ministério da Saúde. O pesquisador recusou pedidos internacionais para priorizar o combate à dengue no Brasil, onde a doença matou mais de 6.300 pessoas no último ano.







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