Foto: Caio Acquesta
A B3 anunciou, durante seu evento anual para investidores (B3 Day), que planeja lançar uma stablecoin própria ainda no primeiro semestre de 2026. A moeda digital, atrelada ao real, será peça central na estratégia da bolsa para criar um ecossistema tokenizado integrado à sua infraestrutura tradicional, permitindo desde negociações fora do horário padrão até, no futuro, um funcionamento contínuo 24 horas por dia, sete dias por semana.
O vice-presidente de produtos e clientes da B3, Luiz Masagão, afirmou que a stablecoin será “a ferramenta viabilizadora da negociação em tokens” e nascerá “muito bem posicionada” por contar com o lastro e a garantia da instituição. O movimento ganha força diante do “emagrecimento” do projeto do real digital (Drex), abrindo espaço para soluções do mercado privado.
Uma ponte entre o tradicional e o digital
Para que a stablecoin funcione plenamente, a B3 vai criar uma depositária tokenizada. Em termos simples, será um sistema digital paralelo que vai registrar e custodiar ativos em formato de token (como ações ou cotas de fundo digitalizadas), mas que estará totalmente conectado ao sistema tradicional de liquidação e custódia da Bolsa.
A grande vantagem é que isso permitirá que um mesmo ativo (uma ação, por exemplo) possa ser negociado tanto no modo tradicional quanto no digital, compartilhando a mesma liquidez. “Players operando no modelo tradicional e players no modelo tokenizado vão usufruir da mesma liquidez”, explicou Masagão. É uma forma de modernizar a infraestrutura sem deixar para trás quem ainda opera no sistema atual.
Os números e o cronograma da estratégia digital
- Lançamento da stablecoin: Primeiro semestre de 2026.
- Lançamento da depositária tokenizada: 2026.
- Disponibilidade: A stablecoin será oferecida ao varejo e estará disponível tanto na rede privada da B3 quanto em blockchains públicas, como Ethereum e Solana.
- Novos produtos: A B3 mapeou 22 novos derivativos para lançar entre 2026 e 2027, incluindo futuros e opções de Bitcoin em dólar, opções semanais de Ethereum e Solana, e o derivativo do ETF de criptomoedas HASH11.
Uma resposta ao “vácuo Drex” e uma aposta no futuro 24/7
Analistas veem a iniciativa como um marco estratégico. “Com o emagrecimento do Drex, o mercado tem essa demanda de um ativo para fazer a liquidação de toda a economia digital”, comentou Masagão, sinalizando que a stablecoin da B3 pretende ocupar esse espaço. O executivo também conectou a nova infraestrutura à ambição de operações ininterruptas: “Acreditamos que a stablecoin poderá responder à demanda por um ativo seguro, para negociação 24/7”.A iniciativa posiciona a B3 na convergência entre o sistema financeiro tradicional e a economia digital, buscando capturar a demanda por ativos digitais seguros e regulados enquanto prepara o terreno para uma nova geração de serviços financeiros.






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