Intervenção dos EUA na Venezuela: Como ação pode influenciar os rumos do Brasil

Captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA redesenha a geopolítica regional e cria novos desafios para o Brasil

Foto: NicoElNino/iStock

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As ações militares da administração Trump na Venezuela já estão movimentando os mercados e as tendências no mundo para 2026. Embora os efeitos imediatos estejam centrados em Caracas e em todo o país, o Brasil também pode sentir impactos na economia e na política externa, influenciados pela instabilidade na fronteira e por mudanças no mercado de petróleo.

A operação militar supervisionada por Donald Trump resultou na prisão de Maduro, agora sob custódia norte-americana. O governo Trump justifica a ação como um combate ao narcotráfico e um meio de reconstruir a indústria petrolífera venezuelana.

O novo poder em Caracas e a resposta brasileira

Interinamente, a Venezuela é agora liderada por Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, que adotou um tom conciliador com os EUA e teve sua liderança reconhecida pelos militares. Apesar de discursos oficiais dos EUA sobre não governar o país, o presidente Trump afirmou que a palavra final sobre decisões importantes é dele.

Aação foi condenada internacionalmente por países como Rússia, China e também pelo Brasil, que a classificou como violação do direito internacional. A principal preocupação brasileira é a incerteza sobre uma possível ocupação militar formal e o risco de instabilidade prolongada na fronteira norte.

O petróleo venezuelano: um gigante adormecido

Um dos objetivos declarados dos EUA é retomar a produção das maiores reservas de petróleo do mundo, com 303 bilhões de barris. No entanto, especialistas apontam obstáculos imensos.

A infraestrutura está deteriorada, com oleodutos que não são modernizados há 50 anos e uma produção atual de apenas 860 mil barris por dia. Para restaurar a produção a níveis significativos, seriam necessários entre US$ 50 e 110 bilhões e um prazo de 5 a 10 anos. No curto prazo, a incerteza pode causar alta moderada nos preços, mas o evento não deve causar grandes mudanças no mercado global, que está bem abastecido.

Como o Brasil é afetado

Uma análise da consultoria Eurasia Group indica que o Brasil está relativamente isolado de pressões diretas, mas sentirá efeitos em várias frentes:

  • Economia e política externa: No longo prazo, um aumento significativo da produção venezuelana poderia pressionar para baixo os preços globais do petróleo, afetando as exportações brasileiras. As negociações de um acordo bilateral com os EUA sobre comércio e minerais críticos podem ser atrasadas.
  • Cenário eleitoral de 2026: O governo Trump, que preferiria vitórias de partidos de direita na região, estará atento às eleições brasileiras. O risco principal é uma reação dos EUA se o sistema judicial eleitoral for percebido como agindo com viés político.
  • Migração: A intervenção, se gerar mais instabilidade, pode reconfigurar os fluxos migratórios de venezuelanos para o Brasil, pressionando os recursos sociais nas regiões de fronteira.

A intervenção introduz, portanto, um fator de instabilidade regional e incerteza geopolítica que terá consequências diplomáticas para o Brasil e pode influenciar fortemente o ambiente eleitoral doméstico.

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