Conselho da Warner rejeita oferta da Paramount e reafirma fusão com a Netflix

Decisão coloca um obstáculo na tentativa da Paramount de criar um gigante midiático e intensifica a disputa

Foto: mixmotive/iStock

Foto: mixmotive/iStock

A batalha por um dos maiores estúdios de Hollywood tem um novo capítulo: o conselho da Warner Bros. Discovery rejeitou por unanimidade a oferta hostil de US$ 108,4 bilhões da Paramount, reafirmando a fusão com a Netflix como o melhor caminho para os acionistas. A decisão coloca um obstáculo significativo na tentativa da Paramount de criar um gigante midiático e intensifica a disputa pelo controle do valioso catálogo da Warner.

O conselho, em carta aos investidores, classificou a proposta da Paramount como “inadequada”, citando o alto risco associado à sua estrutura de financiamento, que depende maciçamente de dívida. A Paramount, por sua vez, mantém sua posição, afirmando que sua oferta em dinheiro é superior e oferece um caminho mais claro para a conclusão do negócio.

O impasse financeiro: segurança versus risco

No centro da rejeição está uma avaliação radicalmente diferente sobre o risco da operação. A Warner argumenta que a proposta da Paramount configura a maior aquisição alavancada (LBO) da história, o que eleva exponencialmente a chance de fracasso.

  • A estrutura de risco da Paramount:

Para adquirir a Warner (avaliada em US$ 82,7 bilhões no acordo com a Netflix), a Paramount, cujo valor de mercado é de cerca de US$ 14 bilhões, precisaria levantar aproximadamente US$ 94,65 bilhões em financiamento. Isso incluiria uma dívida adicional de mais de US$ 50 bilhões, que deixaria a empresa combinada com uma dívida bruta estimada em US$ 87 bilhões. O conselho avalia que essa alavancagem extrema, somada à classificação de crédito “junk” da Paramount, torna o fechamento do negócio incerto, principalmente em um prazo de 12 a 18 meses.

  • A proposta da Netflix em contraste:

A fusão com a Netflix é apresentada como uma alternativa segura. A gigante do streaming, com valor de mercado próximo de US$ 400 bilhões, classificação de crédito sólida (A/A3) e robusta geração de caixa, oferece uma transação mais previsível. O acordo, no valor de US$ 82,7 bilhões, prevê o pagamento aos acionistas da Warner de US$ 23,25 em dinheiro e ações da Netflix, além de um valor-alvo adicional.

A Warner também alerta que, se a oferta da Paramount falhar, os acionistas poderiam enfrentar custos de até US$ 4,7 bilhões em taxas de rescisão e despesas financeiras, além de ver a empresa operacionalmente paralisada durante o longo período de tentativa de aquisição.

O que está em jogo: um catálogo de ouro e o futuro do streaming

Para além dos números, a disputa é pela posse de um dos acervos mais valiosos do entretenimento global. Quem controlar a Warner herdará um império de conteúdo que inclui:

  • Franquias cinematográficas: Harry Potter, o Universo DC (Batman, Superman), “O Senhor dos Anéis”.
  • Séries iconicas: “Game of Thrones”, “Friends”, “The Big Bang Theory”, e a produção premium da HBO.
  • Clássicos do cinema: “Casablanca”, “Cidadão Kane”, entre outros.

A Netflix busca o acordo para consolidar sua liderança no streaming, ganhando escala de produção, acesso a franquias lucrativas e fortalecendo áreas como games e eventos ao vivo. A Paramount, por outro lado, vê na aquisição uma chance de se transformar em um competidor de peso global, capaz de rivalizar com Disney, Netflix e Amazon.

Próximos passos: a palavra final é dos acionistas

A Paramount respondeu à rejeição reiterando sua oferta de US$ 30 por ação em dinheiro, que considera “superior” aos US$ 27,42 por ação do acordo com a Netflix. A empresa também desvalorizou os ativos de TV a cabo que a Warner manteria (a futura “Discovery Global”), avaliando-os em US$ 0 por ação, em um movimento argumentativo para destacar a atratividade de sua proposta.Agora, a disputa migra para as mãos dos acionistas da Warner Bros. Discovery. Eles são quem terá a palavra final: aceitar a recomendação do conselho e aprovar a fusão com a Netflix ou optar pela oferta hostil em dinheiro da Paramount, considerando os riscos apontados. O desfecho definirá não apenas o destino de um estúdio centenário, mas umnovo mapa de poder da indústria do entretenimento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *