Trump anuncia tarifa a países que negociam com o Irã; Brasil avalia impacto comercial

Medida divulgada em rede social, sem detalhes oficiais, ameaça afetar comércio bilateral e acentua tensões geopolíticas

Imagem: Saulo Angelo/iStock

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) uma medida comercial que busca isolar o Irã: qualquer país que mantiver relações comerciais com os iranianos será punido com uma tarifa extra de 25% sobre todos os produtos que vender aos Estados Unidos. A declaração, feita em sua rede social Truth Social e descrita como “final e irrevogável”, ainda não foi detalhada por um comunicado oficial da Casa Branca, deixando em suspense o alcance prático da ameaça que pode afetar parceiros como o Brasil.

O anúncio ocorre em um momento de elevada tensão no Irã, onde protestos antigovernamentais já deixaram centenas de mortos, segundo organizações de direitos humanos, e de crescente confronto diplomático entre Washington e Teerã. A medida pode impactar diretamente o Brasil, que mantém um fluxo comercial significativo com o Irã, membro dos BRICS junto ao país.

O que se sabe sobre a medida e os possíveis impactos

A declaração de Trump carece de especificidades, o que gera incerteza imediata no cenário internacional. Os principais pontos em aberto são:

  • Critérios de aplicação: Não está claro como os EUA definirão qual país “faz negócios” com o Irã, se haverá um limite mínimo de comércio ou se a tarifa será aplicada de forma ampla e automática.
  • Data de vigência: A frase “com efeito imediato” não especifica se a tarifa recairá sobre transações futuras ou também sobre contratos em andamento.
  • Produtos atingidos: O anúncio menciona “todo e qualquer negócio” com os EUA, o que pode abranger desde commodities até bens industriais e serviços.

Enquanto isso, o governo brasileiro iniciou uma avaliação interna sobre os impactos potenciais. Integrantes do Itamaraty afirmam que é prematuro quantificar os efeitos sem um decreto ou comunicado oficial norte-americano que detalhe os critérios. A postura inicial é de cautela e busca por informações adicionais junto às autoridades estadunidenses.

O vínculo comercial entre Brasil e Irã

O Brasil possui uma relação comercial consolidada e superavitária com a República Islâmica. Em 2025, o fluxo total (importações + exportações) atingiu US$ 3 bilhões, com um superávit brasileiro de cerca de US$ 2,8 bilhões.

  • Exportações brasileiras: São majoritariamente commodities agrícolas. Milho (67,9% do total) e soja (19,3%) respondem pela grande maioria das vendas. Açúcar e farelo de soja também têm participação relevante.
  • Importações do Irã: O Brasil compra principalmente adubos (79% do total) e frutas e nozes (11%).

O Irã ocupa a 31ª posição entre os principais destinos das exportações brasileiras. Uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros que entram nos EUA poderia, em tese, tornar itens como soja, café ou aço brasileiros menos competitivos no mercado americano, caso o Brasil seja enquadrado na medida. O governo Lula, que tem buscado diversificar parcerias e fortalecer os BRICS, agora precisa navegar num novo ponto de atrito na relação com Washington.

O anúncio também visa pressionar economicamente o regime iraniano em um momento de fragilidade doméstica e acentua a política externa unilateral de Trump, que frequentemente usa tarifas como instrumento de coerção geopolítica, desconsiderando fóruns multilaterais. O desfecho dependerá dos detalhes operacionais que a Casa Branca publicar.

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