Exportação de café cai em volume, mas receita bate recorde histórico em 2025

Faturamento foi impulsionado pela alta nos preços internacionais e pela qualidade do produto brasileiro

Foto: William Rodrigues dos Santos/iStock

Foto: William Rodrigues dos Santos/iStock

As exportações brasileiras de café registraram um cenário paradoxal em 2025: enquanto o volume despencou 20,8%, a receita alcançou um recorde histórico. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país vendeu 40,049 milhões de sacas de 60 kg ao exterior, mas faturou US$ 15,586 bilhões, uma alta de 24,1% em relação a 2024 e o maior valor desde o início da série histórica, em 1990.

Queda no volume é atribuída a estoques baixos, clima e tarifas americanas

A redução para pouco mais de 40 milhões de sacas exportadas já era esperada pelo setor. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, apontou uma combinação de fatores:

  • Esgotamento de estoques: O recorde de exportação em 2024 reduziu drasticamente o montante de café armazenado no país.
  • Impacto climático: A safra de 2025 foi adversamente afetada pelo clima, limitando a produção disponível.
  • Barreira comercial: A imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos entre agosto e novembro causou uma queda de 55% nos embarques para o mercado norte-americano no período. O café solúvel brasileiro ainda segue sob essa taxa.

Problemas logísticos nos portos geram prejuízo milionário ao setor

Além dos desafios de mercado, a defasagem na infraestrutura portuária brasileira se mostrou um obstáculo crônico e custoso. Dados do Boletim Detention Zero, elaborado em parceria com o Cecafé, revelam que 55% dos navios enfrentaram atrasos ou alterações de escala até novembro de 2025. Esses entraves logísticos resultaram em um prejuízo calculado de R$ 61,467 milhões aos exportadores associados e impediram o embarque de uma média mensal de 613,4 mil sacas de café ao longo daquele período.

Alemanha assume liderança como principal destino com EUA em queda

Como reflexo direto do impacto das tarifas norte-americanas, houve uma significativa mudança no ranking dos maiores compradores. A Alemanha subiu para a primeira posição, importando 5,409 milhões de sacas, mesmo com uma queda de 28,79% em seu volume adquirido. Já os Estados Unidos, tradicionalmente líderes, caíram para a segunda colocação, com compras de 5,381 milhões de sacas – uma retração de 33,9% no ano. Apesar da volatilidade em mercados específicos, o Brasil manteve sua capilaridade global, exportando para 121 países e mantendo sua fatia de mais de um terço do mercado mundial.

Receita recorde é sustentada pela alta dos preços e investimento em qualidade

O recorde de faturamento, conquistado em um ano de menor volume, é explicado por uma forte valorização do produto. O setor atribui o feito à combinação de médias mensais de preço mais altas no mercado internacional com os investimentos contínuos dos produtores em tecnologia, inovação e qualidade, que elevam o patamar e o valor percebido do café brasileiro no exterior. O café arábica seguiu como o carro-chefe, representando 80,7% do total exportado, ou 32,3 milhões de sacas, consolidando a estratégia de valor em detrimento do volume.

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