Rafael Costa — Menos horas, mais resultado: por que reduzir a jornada pode aumentar a produtividade

Quando as pessoas têm mais tempo para descansar, viver e se reconectar com o que as motiva, tendem a trabalhar com mais foco, criatividade e engajamento

Foto: Julia Amaral/iStock

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Durante muito tempo, produtividade foi sinônimo de horas trabalhadas. Quanto maior a carga horária, maior seria o comprometimento e, consequentemente, o resultado. Mas, em um cenário marcado por excesso de tarefas, cansaço mental e pela dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional, essa lógica vem sendo cada vez mais questionada. Trabalhar mais nem sempre significa produzir melhor.

O modelo tradicional, baseado no controle do tempo e na presença constante, trouxe consequências silenciosas ao longo dos anos: estresse crônico, esgotamento emocional, baixa motivação e dificuldades na retenção de talentos. O profissional de hoje busca mais do que estabilidade financeira. Ele quer equilíbrio, propósito e qualidade de vida.

Nesse contexto, a redução da jornada de trabalho surge não como um privilégio, mas como uma estratégia de eficiência. A ideia central é simples: quando as pessoas têm mais tempo para descansar, viver e se reconectar com o que as motiva, tendem a trabalhar com mais foco, criatividade e engajamento.

Dados ajudam a sustentar essa mudança de mentalidade. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que jornadas equilibradas e boas práticas de gestão estão diretamente associadas a ganhos de produtividade e sustentabilidade organizacional. Já pesquisas da Gallup mostram que equipes com alto nível de engajamento apresentam menos absenteísmo e melhor desempenho, além de maior satisfação no trabalho.

Produtividade, nesse novo cenário, deixa de ser uma corrida contra o relógio e passa a ser uma questão de qualidade. Em vez de medir esforço pelo número de horas, empresas mais atentas avaliam resultados, clareza de objetivos e impacto real das entregas.

Experiências internacionais reforçam essa tendência. Testes realizados em países como Islândia, Reino Unido e Espanha, com semanas de trabalho mais curtas, registraram aumento de performance, redução do estresse e maior satisfação dos colaboradores, sem prejuízo aos resultados financeiros. No Brasil, embora o debate ainda avance de forma gradual, já existem lideranças dispostas a repensar a relação entre tempo e produtividade.

Reduzir a jornada não significa diminuir metas ou afrouxar responsabilidades. Pelo contrário: exige mais organização, comunicação clara e confiança mútua. É uma mudança cultural que substitui o controle rígido pela autonomia e pelo senso de responsabilidade compartilhada.

O futuro do trabalho aponta para modelos mais humanos e inteligentes, nos quais o trabalho se encaixa na vida, e não o contrário. Quando o tempo é tratado como um recurso valioso, tanto para pessoas quanto para empresas, o ganho vai além dos números: surge um ambiente mais saudável, engajado e sustentável.

No fim, produtividade não está em fazer mais por mais tempo, mas em criar condições para que as pessoas entreguem o seu melhor.

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