68 anos de LEGO: a patente de 1958 que criou um império da criatividade

Trajetória da LEGO é a prova de que inovação e tradição podem coexistir no mundo corporativo

Foto: Allard1/iStock

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Há 68 anos, em 28 de janeiro de 1958, a então modesta empresa LEGO registrava na Dinamarca a patente de um design que revolucionaria o brincar: o tijolinho de plástico com tubos internos, que garantia encaixe firme e versatilidade infinita. O registro, realizado pelo filho do fundador, não apenas solucionou um problema de estabilidade, mas estabeleceu o alicerce de um império criativo que atravessaria gerações. Hoje, o simples ato de “brincar bem” (tradução do dinamarquês “leg godt”, origem do nome LEGO) se transformou em uma referência cultural, educacional e de entretenimento global.

De oficina de madeira a aposta ousada no plástico pós-guerra

Esta história começa muito antes de 1958. Em 1932, o carpinteiro Ole Kirk Christiansen fundou em Billund, Dinamarca, uma pequena oficina que, afetada pela Grande Depressão, passou a produzir brinquedos de madeira. O nome LEGO, adotado em 1934, já carregava a filosofia da marca: “leg godt”, ou “brinque bem”. O salto para o plástico veio no pós-guerra, uma aposta considerada arriscada até pelos filhos de Christiansen.

Em 1949, surgiram os primeiros “Automatic Binding Bricks”, tijolinhos de acetato de celulosa inspirados em um design britânico, mas com encaixe limitado. A visão de Godtfred, no entanto, era maior: criar um “sistema de brincar” coeso, onde todas as peças fossem compatíveis.

28 de janeiro de 1958: o dia em que tudo se encaixou

A patente de 1958 foi a resposta a um problema prático: as construções desmontavam-se com facilidade. A solução de Godtfred foi engenhosa: adicionar tubos ocos na parte inferior do tijolinho, que se encaixavam com precisão nos “studs” (botões) da peça de baixo, criando o que a LEGO chama de “clutch power” (força de encaixe). Esse detalhe técnico, aparentemente simples, teve uma implicação profunda: estabeleceu um padrão de compatibilidade para sempre. Um tijolinho fabricado em 2026 encaixa-se perfeitamente em um de 1958, exemplo raro de continuidade no mundo dos brinquedos.

Do quase colapso ao “turnaround” estudado em negócios

A história do LEGO não é linear. Após décadas de expansão (com a abertura do primeiro Legoland em 1968, o lançamento da minifigura em 1978 e a entrada no mercado educativo), a empresa enfrentou uma crise profunda no início dos anos 2000. A expansão descontrolada para áreas como videogames e roupas, somada à perda do foco no “sistema”, quase levou a LEGO à falência.

A virada veio com um retorno às origens: demissão do CEO não-familiar, enxugamento de linhas de produto e a reconexão com o núcleo criativo. O caso de “turnaround” do LEGO é hoje estudado em escolas de negócios no mundo inteiro.

Mais do que um brinquedo: LEGO como ferramenta cultural e educativa

O impacto do sistema LEGO transcende há muito a caixa de brinquedos. A marca evoluiu para um fenômeno cultural multifacetado:

  • Educação STEM: Através da linha LEGO Education, o sistema é utilizado formalmente em escolas para desenvolver pensamento lógico, criatividade e habilidades para o século 21, seguindo metodologias como os “4Cs” (Conectar, Construir, Contemplar e Continuar).
  • Cultura pop: Com filmes de sucesso, séries, videogames e parques temáticos, o LEGO criou um ecossistema de entretenimento que fala com crianças e adultos.
  • Ferramenta criativa universal: De artistas que criam esculturas complexas a engenheiros que prototipam ideias, o tijolinho se consolidou como uma linguagem universal de criação e resolução de problemas.

O futuro construído sobre uma base sólida

Enquanto pesquisa peças inteligentes e experiências digitais, aLEGO mantém o tijolinho físico como seu núcleo. A empresa, ainda majoritariamente controlada pela família fundadora, prova que inovação e tradição podem coexistir quando guiadas por um propósito claro. Celebrar os 68 anos da patente não é apenas lembrar um objeto, mas reconhecer uma filosofia: brincar sério, com ferramentas que permitem errar, desmontar e reconstruir, é uma das melhores formas de crescer e aprender.

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