Contas públicas têm déficit de R$ 55 bilhões em 2025, divulga Banco Central

Dados do BC mostram piora no déficit primário em 2025, com o governo federal respondendo pelo maior desequilíbrio

Foto: Cunaplus_M.Faba/iStock

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O setor público consolidado (que reúne União, estados, municípios e estatais) fechou 2025 com um déficit primário de R$ 55,021 bilhões, o equivalente a 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados, divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (30), mostram uma piora em relação a 2024, quando o rombo foi de R$ 47,55 bilhões (0,4% do PIB), e representam o pior desempenho desde 2023.

Desempenho por esfera de governo mostra desequilíbrio concentrado na União

A deterioração do resultado consolidado foi puxada principalmente pelo Governo Central. A divisão do rombo de R$ 55 bilhões entre os entes foi a seguinte:

  • Governo Federal (Central): Registrou o maior déficit, de R$ 58,687 bilhões (0,46% do PIB), pressionado pelo crescimento de gastos obrigatórios, como Previdência Social.
  • Estados e Municípios: Contribuíram para atenuar o cenário, apresentando um superávit conjunto de R$ 9,537 bilhões (0,07% do PIB).
  • Empresas Estatais (excluindo Petrobras e Eletrobras): Tiveram um déficit de R$ 5,871 bilhões (0,05% do PIB).

Despesas com juros da dívida pública superam R$ 1 trilhão

Quando são incorporadas as despesas com os juros da dívida pública – formando o chamado resultado nominal –, a situação fiscal se agrava significativamente. Nesta métrica, o déficit do setor público atingiu a marca de R$ 1,062 trilhão em 2025, o que corresponde a 8,34% do PIB. As despesas com juros por si só somaram R$ 1 trilhão (7,91% do PIB), um recorde em valores nominais, ainda que um pouco menor em proporção ao PIB que no ano anterior.

Dívida líquida do setor público atinge nível recorde de 65,3% do PIB

O desequilíbrio fiscal contínuo, combinado com a alta da taxa Selic e a valorização do dólar ao longo de 2025, impactou diretamente o endividamento do país. A dívida líquida do setor público alcançou R$ 8,311 trilhões, equivalente a 65,3% do PIB – o maior percentual da série histórica mantida pelo BC. A dívida bruta do governo geral também subiu, para 78,7% do PIB (R$ 10,017 trilhões). Ambos os indicadores são monitorados de perto por investidores e agências de classificação de risco.

O superávit de R$ 6,251 bilhões registrado em dezembro – período tradicionalmente positivo devido ao calendário de receitas – não foi suficiente para reverter o resultado negativo do ano, que sinaliza os desafios persistentes para o equilíbrio das contas públicas em um cenário de juros elevados e crescimento moderado da economia.

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