Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O caminho para a queda dos juros no Brasil ganhou mais um sinal verde. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, divulgado nesta segunda-feira (2), mostrou que o mercado reduziu pela quarta semana consecutiva a previsão para a inflação oficial em 2026. A mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 4,00% para 3,99%, consolidando-se dentro do teto da meta, que é de 4,5%.
Esse cenário de inflação controlada reforça a aposta dos analistas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará o ciclo de cortes da taxa Selic já em sua próxima reunião, em março. A expectativa para a taxa básica de juros ao final de 2026 se manteve em 12,25% ao ano, uma queda significativa em relação aos atuais 15% ao ano. Para os anos seguintes, as projeções são de 10,5% em 2027 e 10% em 2028.
Inflação na meta e juros no horizonte
A trajetória de baixa nas projeções inflacionárias é um dos principais combustíveis para a expectativa de relaxamento da política monetária. Pela primeira vez em meses, a previsão para 2026 ficou abaixo de 4%, mantendo-se de forma mais confortável dentro do sistema de meta contínua de inflação, que tem centro em 3% e tolerância de até 4,5%.
A confirmação veio na semana passada, quando o próprio Copom, ao manter os juros em 15% pela quinta vez seguida, sinalizou que deve começar o ciclo de cortes em março, desde que os dados de inflação continuem cooperando e não haja surpresas no cenário econômico.
Crescimento moderado e dólar estável
Enquanto a inflação dá trégua, as perspectivas para o crescimento econômico seguem modestas, mas estáveis. A projeção para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 se manteve em 1,8% pela oitava semana consecutiva. A mesma expectativa vale para 2027, com uma leve aceleração para 2% projetada para 2028. O cenário reflete uma economia que deve crescer em ritmo lento, enquanto se beneficia do possível início de um ciclo de juros mais baixos.
O que esperar de março?
A conjunção de inflação dentro da meta, expectativas ancoradas e um cenário externo sem grandes turbulências cria o ambiente que o Banco Central considera necessário para dar o primeiro passo. O foco agora estará nos próximos dados de inflação, começando pelo IPCA de janeiro, que será divulgado no dia 10 de fevereiro pelo IBGE.A mensagem do último Copom foi clara ao reforçar a cautela, citando fatores como o cenário global, a inflação de serviços e a política fiscal como pontos de atenção. No entanto, o consenso entre analistas é que, a menos que haja uma reviravolta nos próximos números, a seta para a Selic em março apontará para baixo, marcando o início de um novo capítulo para o crédito, os investimentos e o consumo no Brasil.







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