Taxa de informalidade cai para 37,5% e atinge menor patamar desde 2020

Queda é puxada pelo avanço do emprego com carteira assinada, que soma 39,4 milhões de trabalhadores

Foto: Matheus Silva

Foto: Matheus Silva/iStock

A taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro recuou para 37,5% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, o menor patamar desde julho de 2020, segundo dados da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (5). O índice representa 38,5 milhões de trabalhadores informais, ante 37,8% no trimestre anterior e 38,4% no mesmo período de 2024.

A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, destacou que a informalidade vem em queda desde 2022, com aceleração a partir de 2023. Diferentemente do que ocorreu em 2020, quando a taxa caiu porque trabalhadores informais simplesmente pararam de trabalhar durante a pandemia, o movimento atual está associado à criação de vagas com proteção trabalhista e previdenciária.

Carteira assinada puxa melhora

O número de empregados no setor privado com carteira assinada chegou a 39,4 milhões, alta de 2,1% na comparação anual, o que representa mais 800 mil pessoas com registro formal. O contingente de empregados sem carteira no setor privado ficou estável em 13,4 milhões.

A população ocupada na informalidade recuou 0,7% no trimestre e 0,6% na comparação anual, com redução de 240 mil trabalhadores informais em 12 meses. A queda foi puxada principalmente pelo segmento de empregados sem carteira assinada no setor privado, que encolheu 177 mil pessoas no trimestre.

“Se eu tirar a observação da pandemia, esse é o menor indicador de taxa de informalidade da série comparada”, afirmou Adriana Beringuy. A menor taxa já registrada foi 36,6%, em junho de 2020, no auge dos efeitos da pandemia.

Rendimento recorde

O rendimento real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.652, o mais alto da série histórica, com alta de 2,8% no trimestre e 5,4% na comparação anual. Segundo a coordenadora da pesquisa, a composição atual do mercado de trabalho tem permitido a manutenção do rendimento em patamar elevado.

“Essa composição tem assegurado a manutenção do rendimento do trabalhador, justamente porque além de preservar quantitativamente os ganhos observados em 2025, entra no ano de 2026 com uma composição que garante a continuidade desse patamar”, explicou.

Setores em alta e queda

Entre os grupamentos de atividade, os segmentos de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas cresceram 2,8% no trimestre (mais 365 mil pessoas) e 4,4% no ano (mais 561 mil). A Administração Pública, Defesa, Seguridade Social, Educação, Saúde Humana e Serviços Sociais avançou 6,2% no ano, com mais 1,1 milhão de pessoas ocupadas.

Por outro lado, a indústria geral recuou 2,3% no trimestre, com menos 305 mil trabalhadores. O grupamento de Serviços Domésticos caiu 4,2% no ano, com menos 243 mil pessoas.

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