Produção industrial sobe 1,8% em janeiro, maior alta desde junho de 2024

Crescimento supera expectativas do mercado e é puxado por setores como químicos, veículos e petróleo, mas juros altos ainda travam recuperação plena

Foto: Mailson Pignata/iStock

Foto: Mailson Pignata/iStock

A indústria brasileira começou 2026 com o pé direito. A produção industrial registrou alta de 1,8% em janeiro na comparação com o mês anterior, o melhor desempenho desde junho de 2024, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (6).

O resultado surpreendeu o mercado, que esperava alta de 0,7% na média das projeções. Na comparação com janeiro do ano anterior, a indústria avançou 0,2%, interrompendo três meses consecutivos de quedas: dezembro (-0,1%), novembro (-1,4%) e outubro (-0,5%).

O que puxou a alta

O crescimento foi disseminado: 19 das 25 atividades industriais pesquisadas registraram avanço, assim como as quatro grandes categorias econômicas. Os destaques ficaram com:

  • Produtos químicos (6,2%), impulsionados por adubos e fertilizantes ligados ao agronegócio.
  • Veículos automotores (6,3%), puxados por caminhões e autopeças.
  • Coque, petróleo e biocombustíveis (2,0%).
  • Indústrias extrativas (1,2%).
  • Metalurgia (4,1%).
  • Máquinas e materiais elétricos (6,5%).

Do lado negativo, máquinas e equipamentos recuou 6,7%, acumulando perda de 11,8% em dois mese, um reflexo direto dos juros altos, que desestimulam investimentos produtivos.

Recuperação parcial

De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa, o avanço de janeiro pode ser explicado em parte pela queda intensa de dezembro (-1,9%), a maior desde março de 2021. “Naquele mês, além do menor dinamismo do setor, houve mais férias coletivas. Com a retomada das atividades, ocorre uma recuperação parcial dessa perda”, explicou.

Apesar do resultado positivo, Macedo alerta que os efeitos da política monetária restritiva ainda estão presentes. “O avanço é relevante, mas ainda não compensa integralmente a perda acumulada de setembro a dezembro, permanecendo um saldo negativo de 0,8%.”

Distância do recorde

Com o resultado de janeiro, a produção industrial está 1,8% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. O dado reforça a leitura das perdas acumuladas pela indústria brasileira na última década.

Nas categorias econômicas, bens de consumo duráveis dispararam 6,3%, eliminando parte da queda de 7,7% acumulada no fim de 2025. Bens de capital (2,0%), bens intermediários (1,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,2%) também cresceram.

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