Foto: M-Production/iStock
O consumo de moda está literalmente mudando de mãos. Impulsionada pela Geração Z, a compra de roupas de segunda mão deixou de ser alternativa econômica para se tornar escolha consciente e declarada de estilo. Dados de diferentes pesquisas globais mostram que os jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e o início dos anos 2010 estão rejeitando o fast fashion e abraçando o mercado de revenda como parte de sua identidade.
Os números do fenômeno
O mercado global de vestuário de segunda mão deve saltar de US$ 198,64 bilhões em 2025 para US$ 485,97 bilhões até 2031, com crescimento anual de 16,08%, segundo relatório da Research and Markets. O estudo aponta que as mudanças nos hábitos de consumo das gerações mais jovens estão “fundamentalmente remodelando” o setor.
De acordo com o ‘2025 Recommerce Report’ do eBay, de novembro de 2025, quase 80% dos consumidores da Geração Z e Millennials se identificam como participantes ativos do movimento de recompra.
O que motiva a escolha
Para a Geração Z, a decisão de comprar roupas usadas vai além do preço. Estudos acadêmicos recentes apontam que os jovens tratam a recompra como “uma escolha de estilo de vida consciente”, movidos por três pilares: sustentabilidade, individualidade e valor econômico. A combinação entre a preocupação ambiental e o desejo de se destacar em um mercado saturado de produção em massa tem impulsionado a busca por peças únicas e com história.
Uma pesquisa da Universidade de Utrecht, publicada em 2026, investiga justamente os preditores sociopsicológicos do consumo de moda sustentável, incluindo o comportamento da Geração Z em relação a brechós e plataformas de revenda. O estudo busca entender como os varejistas podem usar esses insights para incentivar a adoção da moda circular.
O que dizem as pesquisas de tendência
A WGSN, principal consultoria de tendências do setor, classificou 2026 como o “ano da virada” para o consumo de moda. Em seu relatório sobre o consumidor de moda do futuro, a consultoria aponta que a “moral prejudicada” é uma das quatro principais emoções que guiam as decisões de compra em 2026: os consumidores se sentem culpados quando optam por produtos baratos e insustentáveis, mas encontram alívio moral na compra de segunda mão.
Além disso, a WGSN identifica o “consumidor colaborativo” como um dos perfis emergentes: aquele que prefere acesso a propriedade, compartilhando, trocando e comprando usado como forma de expressar seus valores.
Fast fashion perde espaço
Os dados indicam que, para a Geração Z, a máxima “mais é mais” perdeu espaço para o desejo de consumir menos, mas melhor. O movimento não é apenas uma reação à crise econômica, mas uma reconfiguração do que significa estar na moda. Como aponta o relatório da Research and Markets, a “demanda por valor em meio a pressões econômicas” se combina com um “compromisso profundo com a sustentabilidade ambiental” para acelerar a adoção de modelos de economia circular.
O resultado é uma geração que não vê o brechó como um lugar de necessidade, mas sim como o epicentro da moda contemporânea.






Deixe um comentário