Usuários de remédios como Ozempic comem mais chocolate, aponta estudo da Lindt

Dados mostram que consumidores de medicamentos GLP-1 nos EUA aumentaram compras de chocolates premium em quase 17% em 2025, contrariando previsões do mercado financeiro

Foto: Iuliia Antonova/iStock

Foto: Iuliia Antonova/iStock

A indústria de alimentos vinha se preparando para o pior. Com a popularização dos medicamentos GLP-1 para perda de peso (como Ozempic, Mounjaro e Wegovy) analistas projetavam uma queda significativa no consumo de doces e alimentos calóricos. Mas a Lindt & Sprüngli, uma das maiores fabricantes de chocolate premium do mundo, acaba de apresentar um dado que surpreendeu o mercado: usuários desses medicamentos estão comprando mais chocolate, não menos.

Os números da surpresa

A empresa suíça apresentou um estudo interno baseado em dados de fevereiro da Circana, uma das principais empresas de pesquisa de mercado dos EUA. Os números mostram que:

  • 15% dos lares americanos usam medicamentos GLP-1;
  • Esses lares respondem por 17,5% de todas as vendas de chocolate no país;
  • As vendas de chocolates premium entre usuários de GLP-1 cresceram quase 17% em 2025;
  • Entre não usuários, o crescimento foi de 6,5% no mesmo período.

A explicação do CEO

Em entrevista coletiva na última terça-feira (10), o CEO da Lindt, Adalbert Lechner, explicou o fenômeno: consumidores que reduzem o consumo de categorias mais calóricas, como massas, pizzas e batatas fritas, continuam buscando formas de indulgência.

“Eles estão migrando para produtos premium. Menos é mais: pequenas recompensas com momentos de prazer, em vez de consumo mecânico e sem atenção”, disse Lechner. A frase resume a estratégia: em vez de eliminar o doce, o consumidor opta por versões mais sofisticadas e come menos, mas melhor.

O que os analistas esperavam

A surpresa contraria as projeções do banco de investimentos Berenberg, que esperava que a introdução dos medicamentos GLP-1 orais tivesse um efeito adverso sobre a indústria de alimentos, especialmente o setor de confeitaria. Os analistas previam um impacto negativo de 0,9 ponto percentual nas vendas da Lindt em 2027.

Lechner, no entanto, afirmou que não vê os medicamentos como ameaça aos negócios futuros e espera que as aprovações regulatórias na Europa, previstas para breve, tenham impacto semelhante no comportamento do consumidor europeu .

O contexto do mercado

Os dados surgem em um momento em que a indústria de alimentos monitora atentamente os efeitos dos medicamentos emagrecedores sobre os hábitos de consumo. A própria Unilever, dona da marca Magnum, viu suas ações caírem recentemente após resultados que alguns analistas associaram ao aumento do uso de GLP-1.

Mas o caso da Lindt sugere um movimento menos abrupto: em vez de abandonar o prazer, o consumidor está redefinindo as formas de se permitir. A preferência por produtos premium, de maior qualidade e consumidos em porções menores, pode ser uma tendência duradoura, além de um alerta para marcas que apostam em volume e preço baixo.

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