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O IBGE confirmou nesta sexta-feira (13) que o volume de serviços no país cresceu 0,3% em janeiro, superando a projeção de alta de 0,1% do mercado financeiro. Com isso, o setor retorna ao nível recorde observado em outubro e novembro de 2025. Na comparação anual, a alta é de 3,3%, e o patamar atual é 20,1% superior ao período pré-pandemia.
A receita do setor também acelerou: subiu 2,3% no mês e acumula alta de 7% em 12 meses, indicando que o faturamento das empresas de serviços segue em trajetória robusta.
O que está quente e o que está frio
O desempenho positivo veio puxado por setores muito específicos, enquanto outros já mostram fadiga. A divisão por atividades revela a assimetria do momento:
- Outros serviços (+3,7%): A categoria, que inclui agenciamento de espaços de publicidade e serviços financeiros auxiliares, foi o grande destaque do mês.
- Informação e comunicação (+1,0%): O segmento de tecnologia da informação (TI) segue como motor do setor, impulsionado pela demanda estrutural por digitalização.
- Transportes (+0,4%): Mantém a trajetória positiva, sustentado por atividades de correio e logística.
- Serviços profissionais e administrativos (0,0%): Estagnação que pode refletir a cautela das empresas com contratações de suporte.
- Serviços às famílias (-1,2%): O grande contraponto. Restaurantes, salões de beleza e atividades presenciais recuaram, indicando que o aperto no orçamento das famílias já começa a aparecer nas estatísticas.
Turismo: o termômetro da renda disponível
O índice de atividades turísticas (Iatur) caiu 1,1% em janeiro, a segunda queda consecutiva. A retração foi generalizada, com destaque negativo para Paraná (-9,4%) e Pernambuco (-8,1%). São Paulo até tentou segurar a onda com alta de 0,6%, mas não foi suficiente para evitar o recuo nacional.
O dado do turismo é um contraponto importante ao resultado geral: enquanto o setor de serviços como um todo bate recorde, o segmento mais diretamente ligado ao consumo discricionário (viagens, lazer, hospedagem) já patina. A leitura é clara: a alta dos serviços em janeiro veio mais da atividade B2B (tecnologia, publicidade, logística) do que do bolso do consumidor final.
A foto completa do trimestre
O IBGE já havia divulgado os dados de indústria e comércio. A leitura conjunta do início de 2026 mostra um cenário de resiliência, mas com velocidades diferentes:
- Indústria: Cresceu 1,8% no mês e acumula 0,5% em 12 meses.
- Comércio: Avançou 0,4% no mês e acumula 1,6% em 12 meses.
- Serviços: Cresceu 0,3% no mês e acumula 3% em 12 meses.
O recado do IBGE
O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, classificou o resultado como uma “variação positiva”, mas ponderou que os 0,3% não representam um crescimento significativo. É a tradução técnica para um cenário que, embora em nível recorde, já dá sinais de perda de fôlego. A média móvel trimestral ficou em zero, sugerindo que o impulso do final de 2025 se dissipou e o setor entrou em um platô.






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