Foto: Dmytro Chernykov/iStock
A Petrobras confirmou nesta quarta-feira (1º) o aumento de 54,8% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, válido a partir de abril. Em algumas praças, como Ipojuca (PE), a elevação chegou a 56,25%. O movimento acompanha a escalada do petróleo no mercado internacional por causa da guerra no Oriente Médio, que elevou o barril do Brent para patamares acima de US$ 100.
O reajuste se soma ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, acumulando uma alta expressiva em apenas dois meses.
O impacto nos custos das aéreas
Até então, o QAV representava cerca de 30% dos custos operacionais do setor aéreo brasileiro. Com o repasse integral dos reajustes, essa participação subiria para aproximadamente 45%, segundo cálculos da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
A entidade alerta que a medida terá “consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo”. O presidente da Abear, Juliano Noman, afirmou que qualquer ajuda é bem-vinda nesse momento de turbulência, mas ponderou que o custo, mesmo parcelado, terá de ser pago em algum momento.
O parcelamento da Petrobras
Para mitigar o impacto imediato, a Petrobras anunciou um mecanismo que permite que as distribuidoras que atendem à aviação comercial paguem um aumento efetivo de apenas 18% em abril. A diferença poderá ser parcelada em até seis vezes, com a primeira parcela a partir de julho de 2026.
A estatal afirmou que a iniciativa busca preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor, assegurando o bom funcionamento do mercado .
Apesar do alívio temporário, a pressão sobre as tarifas é inevitável. O Grupo Abra, holding que controla a Gol e a Avianca, informou que cada dólar de alta no preço do combustível exige um aumento de 10% nas tarifas para compensar o impacto. A cada elevação de US$ 1 por galão no preço do QAV, as passagens podem subir cerca de 10%.
A Azul já anunciou que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo das últimas três semanas e pretende reduzir em cerca de 1% a oferta de voos domésticos no segundo trimestre de 2026 como estratégia para lidar com a pressão de custos.
O que está em jogo
Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do petróleo sobre o mercado doméstico.
O governo avalia medidas como linhas de crédito, alívio tarifário e ajustes tributários para tentar amenizar a alta dos preços, mas a eficácia dessas iniciativas ainda é incerta.






Deixe um comentário