População brasileira envelhece e número de idosos atinge recorde, aponta IBGE

Pessoas com 60 anos ou mais já representam 16,6% da população, enquanto jovens perdem espaço; domicílios unipessoais mais que dobraram em 13 anos

Foto: Oscar Gutierrez Zozulia

Foto: Oscar Gutierrez Zozulia

A população brasileira está envelhecendo e cresce em ritmo cada vez menor. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) 2025, divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano passado, a população residente foi de 212,7 milhões de pessoas, aumento de 0,39% em relação a 2024, com taxa de crescimento que tem ficado abaixo de 0,60% desde 2021. Do total, 51,2% eram mulheres e 48,8% homens.

Envelhecimento acelerado

Pela primeira vez na série histórica, a parcela de idosos atingiu o maior patamar. Pessoas com 60 anos ou mais já representam 16,6% da população brasileira. Em 2012, eram 11,3%. Enquanto o topo da pirâmide etária se alarga, a base se estreita. O grupo de pessoas abaixo de 40 anos está 6,1% menor do que em 2012.

A transformação aparece de forma clara nos números:

  • Crianças de 0 a 4 anos: caíram de 7,4% para 5,9% da população
  • Jovens de 5 a 13 anos: recuaram de 14,6% para 12,2%
  • Faixa de 14 a 17 anos: reduziu para 5,5% da população
  • Faixa de 18 a 19 anos: caiu para 2,8%

Diferenças regionais e de gênero

As regiões Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de jovens, com 22,6% e 19,1% da população de até 13 anos, respectivamente. Já Sudeste e Sul têm maior presença de idosos, ambos com 18,1% da população com 60 anos ou mais.

Entre os brasileiros com 65 anos ou mais, as mulheres predominam: representam 12,8% da população feminina, contra 10,2% entre os homens. O padrão oposto aparece entre os mais jovens, onde a participação masculina é ligeiramente maior.

Mais pessoas morando sozinhas

O número de pessoas que vivem sozinhas mais que dobrou em 13 anos. Em 2025, os domicílios unipessoais chegaram a 19,7% e, em 2012, o percentual era de 12,2%. São 15,6 milhões de pessoas morando sozinhas no país, ante 7,5 milhões em 2012.

O perfil varia por gênero:

  • Homens sozinhos: 56,6% têm entre 30 e 59 anos
  • Mulheres sozinhas: 56,5% têm 60 anos ou mais

O Rio de Janeiro é o estado com maior proporção de moradores sozinhos (23,5%), enquanto no Pará o índice é de apenas 13,4%. O arranjo nuclear (casal com ou sem filhos, ou pai/mãe com filhos) ainda é o predominante, com 65,6% dos domicílios. Mas este número caiu em relação a 2012, quando chegava a 68,4%.

Mais apartamentos e mais aluguel

A população brasileira está mais verticalizada. A quantidade de apartamentos no Brasil saltou 48,7% entre 2016 e 2025, para 13,6 milhões de unidades. As casas ainda são maioria (65,6 milhões), mas cresceram apenas 14,2% no período. A região Sudeste tem a maior proporção de pessoas morando em apartamentos: 22,3% do total.

Também houve mudança na forma de ocupação dos imóveis:

  • Domicílios alugados: cresceram 54,1% desde 2016, agora representam 23,8% do total (19 milhões de lares).
  • Domicílios próprios quitados: caíram para 60,2% — redução de 6,6 pontos percentuais no mesmo período.

Mudanças na declaração de cor ou raça

Diminuiu em todas as regiões o número de pessoas que se declaram brancas. Em 2012, brancos eram 46,4% da população. Em 2025, passaram a ser 42,6%. Pessoas declaradas pretas aumentaram de 7,4% para 10,4%.

  • Região Norte: maior crescimento da população preta (de 8,7% para 12,9%).
  • Região Sul: maior crescimento da população parda (de 16,7% para 22%) e maior queda da população branca (de 78,8% para 72,3%).

Avanços e desigualdades na infraestrutura

acesso à água por rede geral chegou a 86,1% dos domicílios, sendo 93,1% nas áreas urbanas e apenas 31,7% nas rurais. O Norte tem o menor percentual: 60,9%. No saneamento, 71,4% dos domicílios têm acesso à rede geral ou fossa ligada à rede, mas o índice cai para 30,6% no Norte. No Sudeste, o percentual é de 90,7%.

A coleta direta de lixo alcança 86,9% dos domicílios, avanço de 4,2 pontos percentuais desde 2016. O acesso à energia elétrica está próximo da universalização: apenas 2,7% dos domicílios rurais e 0,5% dos urbanos não têm ligação à rede.

O acesso a bens duráveis também aumentou:

  • Geladeira: presente em 98,4% dos domicílios.
  • Máquina de lavar: saltou de 63% (2016) para 72,1% (2025).
  • Carro: chegou a 49,1% dos lares.
  • Motocicleta: presente em 26,2% das residências.

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