Irã reabre Estreito de Ormuz durante cessar-fogo, mas Trump mantém bloqueio naval

Passagem marítima ficará aberta enquanto durar trégua, que expira na quarta (22); presidente americano diz que só retirará tropas após acordo de paz “100% concluído”

Foto: SHansche/iStock

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O Irã anunciou nesta sexta-feira (17) a reabertura total do Estreito de Ormuz para embarcações enquanto durar o cessar-fogo com os Estados Unidos. O bloqueio da via marítima era um dos principais impasses nas negociações entre os dois países.

“De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo“, declarou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. A trégua expira na quarta-feira (22).

Após o anúncio, o preço do petróleo despencou. Dados do site de monitoramento Kpler já mostravam que a circulação pelo estreito havia sido retomada, com três petroleiros iranianos transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto. Foram os primeiros carregamentos desde o bloqueio dos EUA aos portos iranianos, na segunda-feira (13).

Trump agradece, mas mantém bloqueio

O presidente Donald Trump agradeceu ao Irã pela reabertura, mas disse que o bloqueio naval que os EUA fazem na saída do estreito, já no Golfo de Omã e no Mar Arábico, seguirá em vigor até que um acordo de paz seja fechado.

“O bloqueio naval seguirá com força e efeito total no que diz respeito ao Irã, até que nossa transação com o Irã esteja 100% concluída”, escreveu Trump em sua rede Truth Social. “Esse processo deverá ser muito rápido, já que a maioria dos pontos já foi negociada.”

Trump afirmou ainda que o Irã se comprometeu a nunca mais fechar o estreito, compromisso que o governo iraniano ainda não havia confirmado oficialmente.

As incertezas sobre a segurança

Apesar do anúncio, a volta da normalidade pode ser mais lenta do que o esperado. As principais companhias de navegação têm enfatizado repetidamente que a segurança de suas tripulações e embarcações é a prioridade máxima.

Dois problemas práticos preocupam o setor:

  • Minas navais: o Irã deixou várias minas no local, e nem mesmo o próprio país sabe exatamente onde elas estão. A comunidade internacional espera que os EUA ofereçam garantias de que as minas foram mapeadas e removidas, o que ainda não aconteceu.
  • Pedágio: durante o conflito, o parlamento iraniano aprovou uma lei que estabeleceria uma taxa para a passagem de navios, chegando a valores de até US$ 2 milhões para embarcações não alinhadas ao Irã. A cobrança seria considerada ilegal segundo diretrizes da ONU desde 1994.

A decisão de passar ou não pelo estreito caberá às empresas que operam os navios e às seguradoras. “No fundo, essa é a questão: a segurança do Estreito de Ormuz nesse momento”, resume análise da CNN.

O que podemos esperar

O cessar-fogo de duas semanas entre Irã e EUA expira em 22 de abril. Trump afirmou que “provavelmente” haverá uma nova rodada de negociações neste fim de semana. As primeiras tratativas, no fim de semana passado em Islamabad, terminaram sem acordo.

A comparação mais próxima, segundo analistas, é a situação do Mar Vermelho: levou mais de dois anos para que um retorno limitado começasse, após os ataques dos rebeldes houthis. No caso de Ormuz, no entanto, não há rota alternativa e o transporte de grandes quantidades de petróleo e gás é vital para a economia global, o que cria maiores incentivos para o retorno.

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