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O comportamento do consumidor brasileiro em 2026 será marcado por mais cautela, planejamento e foco no preço. É o que revela uma pesquisa da Neogrid em parceria com o Opinion Box, que traça um retrato de reorganização financeira nas famílias.
De acordo com o levantamento, 76% dos consumidores pretendem cortar custos ao longo do ano, enquanto 71% afirmam estar mais sensíveis aos preços. O cenário não aponta necessariamente para uma retração generalizada, mas sim para um padrão de consumo mais seletivo, episódico e condicionado ao contexto econômico e emocional.
As estratégias para economizar
Entre as principais táticas adotadas pelos brasileiros para proteger o orçamento estão:
- Redução de compras por impulso: mencionada por 69% dos entrevistados.
- Maior busca por promoções: 55% afirmam que vão caçar ofertas antes de comprar.
- Procura por lojas com melhores preços: 53% vão comparar antes de decidir.
- Cozinhar mais em casa: 40% pretendem diminuir pedidos de delivery.
Além disso, 43% dos consumidores afirmam que vão conter gastos com produtos em geral, demonstrando uma postura mais disciplinada diante das incertezas.
O peso das dívidas e a falta de reserva
O cenário financeiro das famílias ajuda a explicar essa postura de cautela. Mais da metade dos consumidores declara ter dívidas e, entre esses, 15% afirmam não saber como irão quitá-las. Outros 39% dizem ter débitos, mas já com plano de pagamento definido, o que indica uma tentativa de reorganização financeira.
O dado que acende um alerta é que 15% dos brasileiros afirmam não ter dívidas, mas também não possuem nenhuma reserva financeira. Apenas 22% declaram ter dinheiro guardado e já definido um plano para utilizá-lo.
Copa, eleições e feriados: o calendário que pesa no bolso
O ano de 2026 tem um calendário repleto de eventos que influenciam diretamente o consumo. Com Copa do Mundo, eleições e 11 feriados prolongados, 81% dos entrevistados acreditam que produtos e serviços devem ficar mais caros.
- Eleições: aparecem como o fator de maior impacto psicológico. Para 36% dos entrevistados, o período eleitoral afeta muito suas decisões de compra, reforçando o adiamento de despesas consideradas não essenciais.
- Copa do Mundo: tende a estimular gastos pontuais. Entre os que pretendem acompanhar os jogos da seleção (64% dos entrevistados), 51% esperam gastar com alimentos e bebidas, e 24% com roupas e acessórios temáticos.
- Feriados prolongados: para 48% dos consumidores, devem incrementar os gastos ao longo do ano, principalmente com passeios e lazer (55%), alimentação (50%) e viagens (40%). Ao mesmo tempo, 55% afirmam que o menor volume de dias úteis compromete seus rendimentos.
O que esperar
O retrato de 2026 é o de um consumidor menos impulsivo e mais condicionado por planejamento, percepção de risco e busca por previsibilidade. O ano não aponta necessariamente para uma retração generalizada, mas para um padrão de consumo mais seletivo e estratégico, no qual preço, disponibilidade e clareza de valor serão fatores determinantes.
A cautela se reflete também no Dia das Mães, uma das datas mais importantes do varejo. Embora 78% dos consumidores pretendam presentear, com a data devendo movimentar cerca de R$ 37,75 bilhões, a decisão de compra está mais racional e baseada em percepção de valor.






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