Foto: Mailson Pignata/iStock
A confiança do empresário industrial brasileiro registrou leve melhora em maio, mas ainda insuficiente para tirar o setor do campo do pessimismo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela CNI, subiu 2 pontos, chegando a 47,2 pontos. Quando o indicador está abaixo de 50 pontos, significa falta de confiança, e o índice permanece nessa zona pelo 17º mês consecutivo.
Setores confiantes saltam de um para seis
O número de setores industriais confiantes passou de apenas 1 para 6 na comparação entre abril e maio. O resultado reverte o quadro de pessimismo recorde observado no mês anterior, quando industriais de 28 dos 29 setores analisados demonstravam falta de confiança (um cenário que não se via desde a pandemia).
Apesar do avanço, a CNI ponderou que “os empresários ainda têm uma avaliação bastante negativa do desempenho das empresas e da economia, enquanto as expectativas para os próximos meses continuam moderadas”.
Presente melhora, expectativa quase neutra
Os dois componentes do ICEI aumentaram em maio:
- Índice de condições atuais subiu 2,4 pontos, para 42,9 pontos: mede a percepção dos empresários sobre a situação da economia e das empresas nos últimos seis meses.
- Índice de expectativas subiu 1,7 ponto, passando para 49,3 pontos: as perspectivas para os próximos seis meses se tornaram menos negativas, quase neutras.
O movimento sugere que, embora o presente ainda seja avaliado de forma negativa, o empresariado começa a vislumbrar alguma melhora à frente — ainda que com cautela.
Nordeste e Centro-Oeste voltam a confiar; região Norte piora
Por região, os dados mostraram :
- Nordeste: ICEI subiu para 51,9 pontos, passou da falta de confiança para a confiança.
- Centro-Oeste: ICEI chegou a 51,7 pontos, também na zona de confiança.
- Sudeste e Sul: seguem pessimistas, mas com melhora.
- Norte: única região com queda, aprofundou o pessimismo.
Construção civil ainda no vermelho
A indústria da construção segue no campo do pessimismo pelo 17º mês consecutivo, com ICEI de 46,7 pontos. Há, porém, um ponto de luz: a expectativa de novas vagas nos próximos seis meses cruzou a linha de 50 pontos pela primeira vez em 17 meses, indicando projeção de alta no emprego do setor.
Por outro lado, a intenção de investimentos caiu 1,3 ponto, para 42,1 pontos, o pior valor para o mês desde 2021.
O que esperar
O ICEI de maio mostra uma indústria dividida entre um presente ainda difícil e um futuro que começa a dar sinais de melhora, ainda que tímidos. A queda do petróleo com o cessar-fogo entre EUA e Irã e a perspectiva de desescalada geopolítica podem ter influenciado as expectativas.
A avaliação da CNI é de cautela: a indústria brasileira está no campo da falta de confiança pelo 17º mês seguido. A melhora de maio interrompe uma sequência negativa, mas o horizonte ainda é incerto. A combinação de juros elevados e guerra externa seguirá sendo monitorada de perto pelo setor.






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