Acordo EUA-Irã pode aliviar inflação e juros, avalia governo

Equipe econômica vê com otimismo o cessar-fogo que fez o petróleo despencar e pode reduzir a pressão sobre os preços e a política monetária no Brasil

Foto: marchello74/iStock

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A equipe econômica do governo federal avalia com otimismo o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. A expectativa é de que a trégua normalize os preços do petróleo, reduzindo a pressão sobre a inflação e abrindo espaço para uma trajetória mais favorável dos juros no Brasil.

O anúncio do entendimento fez o barril de petróleo tipo Brent despencar quase 5% na segunda-feira (15), para US$ 83,17, retornando a patamares de março. Nos momentos mais tensos da guerra, a cotação superou os US$ 110, mas antes do conflito figurava mais próxima dos US$ 70.

Alívio na inflação e impacto nas projeções

O salto das projeções inflacionárias está diretamente vinculado ao impacto da guerra no mercado de petróleo. Antes do conflito, a expectativa no Boletim Focus para o IPCA estava abaixo de 4% tanto para 2026 quanto para 2027. Agora, está em 5,30% para este ano e 4,10% para o ano que vem.

Interlocutores da área econômica acreditam que o barril pode cair abaixo de US$ 80 se o acordo for concretizado, o que poderia gerar repercussões positivas para o cenário de inflação e juros no Brasil

Cautela e limites do otimismo

Analistas, no entanto, pedem cautela. Embora o recuo do petróleo seja favorável, seus efeitos de alívio no Brasil são limitados por dinâmicas internas de mercado. O país não tem um repasse automático das variações globais para as bombas devido à política de preços da Petrobras.

Além disso, as cotações internacionais não devem voltar tão cedo aos patamares anteriores ao início da guerra. Segundo Décio Oddone, ex-diretor-geral da ANP, a cotação deve seguir entre US$ 80 e US$ 90 por barril no médio prazo, caso o fim do conflito seja confirmado.

O impacto nos juros

A redução das tensões também influencia as decisões de política monetária. Com a queda do petróleo, o Banco Central ganha algum fôlego, mas o cenário ainda é de cautela.

O mercado, que antes do conflito projetava queda da Selic de 15% para 12%, agora prevê uma redução bem menor, para 13,75%. O Banco Central deve promover o terceiro corte de 0,25 ponto percentual nesta semana, reduzindo a taxa de 14,50% para 14,25%, mas economistas apontam que essa pode ser a última queda do ciclo.

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