BC reduz Selic para 14,25% ao ano e sinaliza cautela com inflação

Copom cortou juros pela terceira vez consecutiva, mas comunicado adotou tom de incerteza e deixou próximos passos em aberto

Foto: iStock

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu na quarta-feira (17) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo de 0,25 ponto, iniciado em março e repetido em abril.

A decisão, unânime entre os sete diretores presentes, era amplamente esperada pelo mercado. Pesquisa do Valor ouviu 122 instituições, das quais 94 projetavam a redução. A taxa agora iguala o menor nível registrado desde maio de 2025.

O comunicado e a incerteza

O tom do comunicado, no entanto, foi de cautela. O BC afirmou que o cenário atual é “caracterizado por forte aumento da incerteza” e reafirmou “serenidade e cautela na condução da política monetária”.

O Copom também alertou para os riscos fiscais, afirmando que segue “acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros”. Pela primeira vez, o BC incluiu “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo” entre os riscos de alta para a inflação.

As projeções de inflação

As expectativas inflacionárias seguem pressionadas. O Focus projeta IPCA de 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027, ambas bem acima da meta de 3%. O próprio BC elevou sua projeção para 2026 de 4,6% para 5,2% no cenário de referência.

Para o horizonte relevante da política monetária (quarto trimestre de 2027), a projeção do Copom subiu de 3,5% para 3,7%.

A mudança do horizonte e o que esperar

O BC estendeu seu horizonte de atuação, adotando o primeiro trimestre de 2028 como referência para as próximas decisões. A avaliação é que manter os juros no patamar necessário para cumprir a meta em 2027 faria a inflação ficar abaixo do alvo em 2028. A jogada técnica abre espaço para que os cortes continuem em agosto, ainda que com ritmo gradual.

O comunicado não sinalizou novos cortes de forma explícita. A mensagem é que a decisão de continuar ou não o ciclo de flexibilização dependerá da evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário internacional.

A próxima reunião do Copom está marcada para 4 e 5 de agosto. O mercado já começa a precificar a possibilidade de que o ciclo de cortes se encerre no segundo semestre.

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