Foto: Rmcarvalho
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central trouxe a 15ª alta consecutiva nas projeções para a inflação de 2026. A mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,30% para 5,33% .
O movimento confirma a trajetória de deterioração das expectativas inflacionárias, que não para de piorar desde o início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro. O ciclo de altas começou em 16 de março, quando a projeção saltou de 3,91% para 4,1%. Desde então, são 15 semanas sucessivas de aumento, levando a estimativa a superar o teto da meta de 4,5%.
As novas projeções do Focus
- IPCA 2026: subiu de 5,30% para 5,33%
- IPCA 2027: subiu de 4,10% para 4,15%
- IPCA 2028: subiu de 3,68% para 3,70%
- Selic 2026: subiu de 13,75% para 14%
- Selic 2027: mantida em 12%
- Selic 2028: mantida em 10,25%
- PIB 2026: subiu de 1,96% para 1,98%
- PIB 2027: mantido em 1,70%
- Dólar 2026: mantido em R$ 5,20
- Dólar 2027: subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27
Selic em 14%: mercado vê apenas mais um corte em 2026
Com a inflação mais pressionada, os economistas passaram a projetar apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic neste ano. A expectativa é de que a redução ocorra na reunião de agosto, e que o ciclo de queda se encerre em seguida, com a taxa terminando 2026 em 14%.
Na semana anterior, a projeção para a Selic era de 13,75%. Antes da escalada das tensões no Oriente Médio, a expectativa era de juros próximos de 12,5% no fim do ciclo. A mudança indica que o mercado passou a considerar um encerramento mais rápido do processo de flexibilização monetária conduzido pelo Copom.
PIB resiliente dificulta alívio monetário
Apesar do cenário de inflação pressionada, a projeção para o PIB voltou a subir, indicando atividade econômica ainda resiliente. O crescimento acima das expectativas dificulta um alívio mais intenso da política monetária, já que uma economia mais aquecida tende a manter pressões sobre os preços.
O Focus de hoje reforça o diagnóstico de que a inflação continuará pressionada pelos efeitos da guerra, mas o mercado ainda aposta em apenas mais um corte de juros neste ano. A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, que na reunião da semana passada elevou suas projeções para o IPCA em 2026 de 4,6% para 5,2%.
A ata do Copom, que será divulgada nesta terça-feira (23), pode trazer mais elementos sobre como o Banco Central avalia esse cenário e quais serão os próximos passos da política monetária.






Deixe um comentário