Focus: inflação sobe para 5,33% no 15º aumento consecutivo

Pela décima quinta semana consecutiva, economistas elevaram a projeção para o IPCA, que chegou a 5,33%, 0,83 ponto percentual acima do teto da meta de 4,5%

Foto: Rmcarvalho

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O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central trouxe a 15ª alta consecutiva nas projeções para a inflação de 2026. A mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,30% para 5,33% .

O movimento confirma a trajetória de deterioração das expectativas inflacionárias, que não para de piorar desde o início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro. O ciclo de altas começou em 16 de março, quando a projeção saltou de 3,91% para 4,1%. Desde então, são 15 semanas sucessivas de aumento, levando a estimativa a superar o teto da meta de 4,5%.

As novas projeções do Focus

  • IPCA 2026: subiu de 5,30% para 5,33% 
  • IPCA 2027: subiu de 4,10% para 4,15% 
  • IPCA 2028: subiu de 3,68% para 3,70% 
  • Selic 2026: subiu de 13,75% para 14% 
  • Selic 2027: mantida em 12% 
  • Selic 2028: mantida em 10,25% 
  • PIB 2026: subiu de 1,96% para 1,98% 
  • PIB 2027: mantido em 1,70% 
  • Dólar 2026: mantido em R$ 5,20 
  • Dólar 2027: subiu de R$ 5,25 para R$ 5,27 

Selic em 14%: mercado vê apenas mais um corte em 2026

Com a inflação mais pressionada, os economistas passaram a projetar apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic neste ano. A expectativa é de que a redução ocorra na reunião de agosto, e que o ciclo de queda se encerre em seguida, com a taxa terminando 2026 em 14%.

Na semana anterior, a projeção para a Selic era de 13,75%. Antes da escalada das tensões no Oriente Médio, a expectativa era de juros próximos de 12,5% no fim do ciclo. A mudança indica que o mercado passou a considerar um encerramento mais rápido do processo de flexibilização monetária conduzido pelo Copom.

PIB resiliente dificulta alívio monetário

Apesar do cenário de inflação pressionada, a projeção para o PIB voltou a subir, indicando atividade econômica ainda resiliente. O crescimento acima das expectativas dificulta um alívio mais intenso da política monetária, já que uma economia mais aquecida tende a manter pressões sobre os preços.

O Focus de hoje reforça o diagnóstico de que a inflação continuará pressionada pelos efeitos da guerra, mas o mercado ainda aposta em apenas mais um corte de juros neste ano. A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, que na reunião da semana passada elevou suas projeções para o IPCA em 2026 de 4,6% para 5,2%.

A ata do Copom, que será divulgada nesta terça-feira (23), pode trazer mais elementos sobre como o Banco Central avalia esse cenário e quais serão os próximos passos da política monetária.

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