Foto: Fronteira/WikimediaCommons
O grupo varejista Americanas S.A. protocolou nesta quarta-feira (25) um pedido de encerramento da recuperação judicial na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A solicitação ocorre dois anos após a homologação do plano de recuperação pela Justiça, cumprindo o prazo mínimo exigido pela Lei 11.101/2005.
O movimento acontece no mesmo dia em que a Justiça homologou a venda da Uni.Co (unidade que detém as marcas Imaginarium e Puket) à BandUP! pelo valor de R$ 152,9 milhões. Uma proposta superior de R$ 155 milhões apresentada pela Solver Soluções Críticas foi desclassificada por descumprimento de exigências do edital.
Por que agora
A antecipação do pedido reflete a reestruturação operacional e a melhora dos resultados registrados pela empresa nos últimos trimestres. A Americanas registrou no quarto trimestre de 2025 um prejuízo de R$ 44 milhões, uma redução de 92,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas nas lojas físicas cresceram 4% no período, e as despesas gerais e administrativas caíram 18,1%.
A retomada do acesso a crédito junto a bancos e fornecedores é apontada como um dos principais objetivos para a saída do processo, já que vendas em alta exigem mais capital de giro.
A reestruturação
A crise da Americanas foi desencadeada em janeiro de 2023, quando a empresa revelou inconsistências contábeis que somavam cerca de R$ 20 bilhões, levando a dívidas superiores a R$ 40 bilhões. O pedido de recuperação judicial foi protocolado no dia 19 de janeiro daquele ano.
Desde então, a varejista passou por uma transformação profunda:
- Aporte dos acionistas: os bilionários Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles injetaram R$ 12 bilhões na companhia.
- Conversão de dívidas: bancos credores converteram outros R$ 12 bilhões em ações da empresa.
- Redução de lojas: a rede passou de 1.855 para 1.452 unidades.
- Foco no físico: o digital deixou de ser um e-commerce independente e passou a servir as lojas físicas, com entregas a partir das unidades e retirada em loja.
A nova Americanas
A empresa que pede para sair da recuperação judicial não é a mesma que entrou em 2023. O modelo de negócio foi reconfigurado: as lojas estão menores, com mix reduzido e estoques mínimos, mas mantêm forte apelo em categorias sazonais.
A Páscoa é um exemplo. Em 2024, em meio à crise, a Americanas vendeu R$ 1 bilhão em chocolates. A força da marca, construída ao longo de décadas, foi um dos principais ativos que sustentaram a credibilidade da empresa junto aos consumidores durante o período mais agudo da crise.
Para 2026, a empresa aposta em parcerias para fortalecer as vendas online após encolher o próprio site. Um acordo estratégico com o Magazine Luiza permite que a Americanas venda produtos na plataforma concorrente.
O que falta
O pedido de encerramento ainda precisa ser aprovado pela Justiça. O Ministério Público e as administradoras judiciais serão intimados para emitir pareceres sobre o processo. Mesmo saindo da recuperação judicial, a Americanas continuará obrigada a cumprir o cronograma de pagamento das dívidas, que tem prazo de 20 anos, bem acima da média nacional de 10 anos.
Analistas apontam que o Ebitda ajustado de 2025 foi impulsionado por receitas não recorrentes de R$ 1,2 bilhão, como créditos de ICMS, PIS/Cofins e acordos tributários. Apesar disso, a qualidade do parque de lojas e a força da marca no varejo de conveniência são vistas como ativos relevantes para a nova fase.





Deixe um comentário