Banco Central mantém Selic em 15% e sinaliza corte de juros para março

Sinalização ocorre em meio a um cenário de inflação ainda elevada e um Copom operando com duas vagas em aberto

Foto: Rmcarvalho/iStock

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano na primeira reunião de 2026. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, mantém os juros no maior nível desde julho de 2006. No entanto, o comunicado do comitê trouxe a sinalização mais clara até agora: o início de um ciclo de cortes está projetado para a próxima reunião, em março, desde que se confirme a trajetória de queda da inflação.

BC melhora projeção de inflação para 2026, mas mantém cautela

A decisão foi tomada em um cenário de inflação ainda pressionada, mas com indicadores de arrefecimento. O próprio Copom revisou levemente para baixo sua projeção para 2026, de 3,5% para 3,4%, no chamado cenário de referência. Apesar disso, o comitê reforçou que manterá a política monetária restritiva pelo tempo necessário para garantir a convergência da inflação para a meta de 3%. As expectativas de mercado para a inflação, captadas pelo Focus, seguem mais elevadas, em 4,0% para 2026.

Copom opera desfalcado, com duas vagas de diretores em aberto

Esta foi a primeira reunião do Copom desde o fim do mandato de dois de seus nove membros: o diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, e o diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes. O governo federal ainda não indicou substitutos, o que significa que a decisão desta quarta foi tomada por apenas sete integrantes. A ausência de dois votos não alterou o resultado, que foi unânime, mas destaca uma transição incompleta na cúpula do BC no início do ano.

Comunicado aponta riscos equilibrados, mas cenário externo incerto

No comunicado que acompanha a decisão, o Copom destacou que os riscos para a inflação permanecem “mais elevados do que o usual”, tanto para cima quanto para baixa. Entre os fatores de cautela, o comitê citou um “ambiente externo ainda incerto”, marcado pela política econômica dos Estados Unidos e tensões geopolíticas. O colegiado também ressaltou a importância de monitorar como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária.A Selic permanece em 15% desde junho de 2025, totalizando cinco reuniões consecutivas de manutenção. O mercado agora aguarda os próximos dados inflacionários e a nomeação dos novos diretores para calibrar as expectativas sobre o tamanho e a velocidade dos cortes que devem começar no próximo encontro do Copom, marcado para 18 e 19 de março.

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