Foto: Diego Grandi/iStock
O Banco do Brasil fechou 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões, queda de 45,4% em relação a 2024. O resultado, ainda assim, ficou dentro da faixa projetada pelo próprio banco após sucessivas revisões para baixo ao longo do ano.
A presidente Tarciana Medeiros classificou 2025 como um “ano de ajustes”. O balanço foi fortemente impactado por dois fatores principais: o aumento da inadimplência na carteira do agronegócio, segmento em que o BB é líder, e as novas regras contábeis do CMN, que alteraram o reconhecimento de receitas e provisões das instituições financeiras.
Quarto trimestre surpreende e aponta inflexão
Apesar do resultado anual fraco, o banco entregou um 4º trimestre de recuperação. O lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões entre outubro e dezembro representa queda de 40,1% na comparação anual, mas uma alta de 51,7% ante o 3º trimestre, desempenho acima da expectativa do mercado, que projetava R$ 4,5 bilhões. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) voltou a dois dígitos, fechando o trimestre em 12,4%, ante 8,4% no período anterior.
Inadimplência segue a principal dor de cabeça
O índice de inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,17% em dezembro, ante 3,16% um ano antes. Os destaques negativos:
- Agronegócio: 6,09% (era 2,23% em 2024)
- Pessoas físicas: 6,56% (era 4,66%)
- Caso pontual: R$ 3,6 bilhões em crédito de uma empresa do Atacado impactou o índice. Sem ele, a inadimplência seria 4,88%.
Projeções para 2026 miram recuperação da rentabilidade
O BB divulgou seu guidance para 2026 com otimismo controlado:
- Lucro líquido: R$ 22 bi a R$ 26 bi
- Crescimento da carteira: 0,5% a 4,5%
- Pessoa física: 6% a 10%
- Agro: -2% a 2%
- Empresas: -3% a 1%
- Receita de serviços: alta de 2% a 6%
- Despesas administrativas: alta de 5% a 9%
- Custo do crédito: R$ 53 bi a R$ 58 bi
“Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão”, afirmou Tarciana. “Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada.” O banco anunciou ainda a distribuição de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP) complementar.







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