BC da República Tcheca investe US$ 1 mi em Bitcoin em projeto piloto

Iniciativa representa um marco simbólico na aproximação de instituições monetárias com criptoativos

Foto: Noah Kalina | Wikimedia Commons

Foto: Noah Kalina | Wikimedia Commons

O Banco Central da República Tcheca (ČNB) tornou-se o primeiro banco central do mundo a adicionar Bitcoin ao seu balanço patrimonial, em um movimento que mistura inovação tecnológica e sinalização financeira. Anunciado oficialmente na última quinta-feira (13), o projeto piloto envolve uma carteira de testes de US$ 1 milhão, composta por Bitcoin, uma stablecoin atrelada ao dólar e um depósito tokenizado. A iniciativa representa um marco simbólico na aproximação de instituições monetárias com criptoativos.

Um experimento limitado com objetivos claros

De acordo com Aleš Michl, presidente do ČNB e entusiasta do setor, a ideia surgiu em janeiro de 2025 como forma de “testar o Bitcoin descentralizado sob a perspectiva de um banco central”. O projeto não visa, pelo menos por enquanto, construir uma reserva em criptomoedas, mas sim avaliar na prática questões como:

  • Custódia e gestão de chaves privadas;
  • Processos de liquidação e auditoria de transações em blockchain;
  • Conformidade com regras de combate à lavagem de dinheiro;
  • Comparação entre diferentes tipos de criptoativos.

O banco já havia dado pistas desse interesse ao comprar US$ 18 milhões em ações da Coinbase em julho, dentro de uma estratégia mais ampla.

Contexto e independência monetária

A República Tcheca, embora integrante da União Europeia, manteve sua moeda própria, a coroa tcheca, e não adotou o euro. Essa autonomia permitiu que o ČNB avançasse em uma agenda monetária distinta, mesmo diante de críticas de figuras do Banco Central Europeu, que já demonstraram ceticismo em relação a criptomoedas em reservas oficiais.

O que significa o movimento?

Embora o valor de US$ 1 milhão seja modesto para um banco central, o impacto simbólico é relevante. A decisão:

  • Abre um precedente para que outros bancos centrais, especialmente em economias emergentes, considerem criptoativos como parte de suas reservas;
  • Fortalece a tese do Bitcoin como reserva de valor digital, complementar ao ouro;
  • Pressiona o desenvolvimento de regulação e de segurança para ativos digitais.

Cenário global e próximos passos

Enquanto países como El Salvador adotaram Bitcoin como moeda legal, a iniciativa tcheca é a primeira a envolver um banco central na aquisição direta do ativo. Se o piloto for bem-sucedido, pode pavimentar o caminho para alocações maiores no futuro.

Por enquanto, trata-se de um teste técnico e operacional, mas seu desfecho pode influenciar a forma como as autoridades financeiras enxergam a interseção entre blockchain, política monetária e soberania.

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