Brasil cresce acima dos EUA e fica em sexto entre países do G20

PIB avançou 2,3% e chegou a R$ 12,7 trilhões, puxado pelo agro; país fica à frente dos EUA no ranking, mas perde fôlego em relação a 2024

Foto: JR Slompo/iStock

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A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, alcançando R$ 12,7 trilhões, segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (3). O resultado posiciona o Brasil na sexta colocação entre as economias do G20 que já divulgaram seus números consolidados, à frente dos Estados Unidos (2,2%) e atrás de Índia (7,5%), Indonésia (5,1%), China (5%), Arábia Saudita (4,5%) e Turquia (3,6%).

É o quinto ano consecutivo de expansão, mas o ritmo perdeu força: em 2024, o PIB havia crescido 3,4%. A desaceleração, segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, é reflexo direto da política de juros altos adotada pelo Banco Central para conter a inflação.

O motor do crescimento

A agropecuária foi a principal responsável pelo desempenho positivo, sustentando a atividade econômica mesmo em um cenário de crédito caro e consumo desacelerado. O setor compensou, em parte, o freio imposto pela indústria e pelos serviços ao longo do segundo semestre, quando a economia praticamente estagnou em relação aos primeiros seis meses do ano.

Os técnicos da Fazenda atribuem a perda de ímpeto à Selic em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006. A taxa elevada encarece o crédito, desestimula investimentos e esfria o consumo, efeito esperado para conter a inflação, que passou a maior parte de 2025 acima da meta de 3%.

O paradoxo do emprego

Apesar do cenário restritivo, 2025 terminou com a menor taxa de desocupação já registrada pelo IBGE. O dado surpreende analistas e reforça a leitura de que o mercado de trabalho brasileiro segue resiliente mesmo com a economia em desaceleração, um fenômeno que especialistas atribuem à informalidade e ao crescimento de setores como serviços e tecnologia.

O que esperar de 2026

A SPE projeta outro crescimento de 2,3% para 2026, mas com uma mudança na composição. A expectativa é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo da indústria e dos serviços, impulsionados pela queda dos juros, que o Copom já sinalizou para a reunião de 17 e 18 de março.

Outros fatores devem ajudar: a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, em vigor desde janeiro, e a expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que o conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã não deve impactar a trajetória de corte dos juros.

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