Brasil mantém otimismo para acordo Mercosul-UE, apesar de resistência francesa

Para o vice-presidente Geraldo Alckmin, tratado é uma prioridade em um cenário global de instabilidade

Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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O governo brasileiro manifestou otimismo quanto à conclusão do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, mesmo diante da resistência liderada pela França e da indefinição italiana. Apesar do adiamento da assinatura, prevista inicialmente para dezembro, autoridades europeias e sul-americanas avaliam que as negociações estão “bem encaminhadas” para um desfecho em breve.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (6) que o tratado é uma prioridade em um cenário global de instabilidade. “É muito importante para o Mercosul, para a União Europeia e para o comércio global que, no momento de guerras, de conflitos, de geopolítica instável, de protecionismo, será o maior acordo do mundo”, declarou Alckmin.

O impasse europeu: França resiste, Alemanha e Espanha pressionam

O caminho para a assinatura enfrenta obstáculos políticos dentro do bloco europeu. O presidente francês, Emmanuel Macron, mantém-se como o principal opositor, afirmando que seu país não apoiará o acordo “sem a inclusão de novas salvaguardas para os agricultores franceses”. Agricultores na França e em outros países temem a concorrência com produtos agropecuários sul-americanos, que consideram produzidos sob padrões ambientais e sanitários diferentes.

Por outro lado, potências como Alemanha e Espanha pressionam por uma aprovação célere. O chanceler alemão, Friedrich Merz, alertou que a credibilidade da política comercial europeia está em jogo, defendendo o tratado como forma de reduzir dependências comerciais e compensar tarifas impostas por outros parceiros, como os Estados Unidos.

A Itália, que havia se alinhado à França para postergar a assinatura, sinalizou uma possível mudança de posição. A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o país está pronto para apoiar o acordo “assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores”. Fontes diplomáticas citadas pela Bloombergindicam que a Itália decidiu apoiar o tratado.

Próximos passos: assinatura e longa ratificação

A porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho, afirmou na segunda-feira (5) que a assinatura deve acontecer “em breve”, sem confirmar a data de 12 de janeiro que tem sido especulada. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, já havia dito estar “confiante” na existência de uma maioria suficiente entre os países-membros para viabilizar a aprovação no Conselho Europeu.Após a assinatura, começará um longo processo de ratificação. O texto precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso Nacional brasileiro, além de ser ratificado individualmente pelos parlamentos nacionais de todos os 27 países da UE e dos quatro membros do Mercosul. Este trâmite pode levar anos até a plena entrada em vigor do acordo, que criará a maior zona de livre-comércio do mundo.

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