Foto: ABC/Reprodução
“O Agente Secreto”, longa brasileiro dirigido por Kléber Mendonça Filho chegou à premiação com status de queridinho por muita gente, e acumulava prêmios importantes no currículo: Melhor Diretor e Melhor Ator para Wagner Moura no Festival de Cannes, além do Globo de Ouro de Melhor Filme Internacional. Mas a noite de domingo (15) foi de “Uma Batalha Após a Outra”, que levou seis estatuetas, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção para Paul Thomas Anderson.
As quatro disputas
O Brasil concorria em:
- Melhor Filme: perdeu para “Uma Batalha Após a Outra”
- Melhor Filme Internacional: derrota para o norueguês “Valor Sentimental”
- Melhor Ator: Wagner Moura superado por Michael B. Jordan (“Pecadores”)
- Melhor Escalação de Elenco: categoria inédita, vencida também por “Uma Batalha Após a Outra”
Outro brasileiro na disputa era Adolpho Veloso, indicado a Melhor Fotografia por “Sonhos de Trem”. Ele perdeu para Autumn Durald Arkapaw (“Pecadores”), primeira mulher a vencer na categoria.
A revanche digital
Se no tapete vermelho o Brasil saiu de mãos vazias, nas redes sociais a história foi outra. O perfil da Academia no Instagram foi tomado por comentários de brasileiros indignados. Hashtags como “Fomos Roubados” dominaram o X (antigo Twitter). Teve até quem brincasse com o título do grande vencedor: “uma derrota atrás da outra” virou meme nacional.
A atriz Tânia Maria, do elenco de “O Agente Secreto”, gravou um vídeo para Wagner Moura: “Não se avexe com isso não. Você já não ganhou meu coração? Melhor que esse prêmio não existe não. Parabéns para esse gringo que ganhou, mas o molho continua sendo do baiano”.
O presidente Lula também se manifestou: “Foram cinco indicações ao maior prêmio do cinema mundial, mostrando novamente a força do nosso cinema e o talento dos nossos atores, atrizes, diretores e de toda a equipe técnica que faz essa arte acontecer”.
O que fica, afinal
A campanha de “O Agente Secreto” marcou um novo momento para o cinema brasileiro. Foi a primeira vez que um ator brasileiro concorreu ao Oscar de Melhor Ator. Mas o feito vai além: o Brasil emplacou dois filmes consecutivos entre os indicados ao principal prêmio do cinema mundial, algo inédito em 96 anos de história da Academia.
Se 2025 foi o ano da conquista, 2026 torna-se o ano da consolidação. O país não apenas provou que pode vencer, mas mostrou que pode voltar e repetir a dose. O cinema brasileiro, hoje, vai se firmando como um participante constante no mundo das premiações no cinema internacional. E isso, talvez, seja tão valioso quanto uma estatueta.
Relembre a conquista histórica de 2025
Há praticamente um ano, o Brasil vivia um domingo completamente diferente. Em 2 de março de 2025, “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, vencia o Oscar de Melhor Filme Internacional, a primeira estatueta da história conquistada por um filme brasileiro. Até então, “Orfeu Negro” (1960) havia vencido, mas o prêmio ficou com a França, país do diretor.
O longa estrelado por Fernanda Torres concorreu em três categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz. No discurso de aceitação, Walter Salles dedicou o prêmio a Eunice Paiva: “uma mulher que, após uma perda enorme por um regime autoritário, decidiu não se render”.
A vitória coroou uma trajetória internacional marcante, que incluiu Globo de Ouro (Melhor Atriz para Fernanda Torres), Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-Americano e o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Veneza. Ao todo, a produção acumulou 47 prêmios ao redor do mundo.Um ano depois, “O Agente Secreto” mostrou que aquela foi mais do que uma conquista isolada, mas a consolidação deste novo capítulo para a indústria cinematográfica brasileira.






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