Com mercado interno aquecido, indústria de alimentos cresce 8% e gera 51 mil empregos

Setor responde por 10,8% do PIB, investiu R$ 41,3 bi e segurou preços mesmo com alta de custos

Foto: Buonaventura1955/iStock

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A indústria brasileira de alimentos e bebidas fechou 2025 com faturamento de R$ 1,39 trilhão, alta de 8,02% na comparação com o ano anterior, segundo balanço da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia). O montante representa 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

O mercado interno foi o grande destaque, respondendo por R$ 1,02 trilhão do total (R$ 732 bilhões do varejo e R$ 287,9 bilhões do food service, que cresceu 10,1%). A demanda doméstica sustentou o avanço real das vendas, que subiram 2,2%.

Empregos e investimentos

  • Foram 51 mil novas contratações formais em 2025, 44,6% de todos os postos criados na indústria de transformação;
  • Força de trabalho direta chegou a 2,125 milhões de empregados (+2,4%);
  • Com empregos indiretos, cadeia produtiva soma 10,6 milhões de postos (10,3% da força de trabalho ocupada no país);
  • Massa salarial cresceu 9,94%, acima da inflação;
  • Investimentos totalizaram R$ 41,3 bilhões em 2025, alta de 6,8%, sendo R$ 26,7 bilhões em inovação e modernização.

Preços e custos

Mesmo com aumento de 5,1% nos custos de produção (matérias-primas, embalagens, energia e combustível), o setor limitou o repasse de preços. Enquanto o IPCA geral ficou em 4,26%, os alimentos subiram 2,95%. A contenção foi viabilizada por ganhos de eficiência e investimentos, um alívio para o orçamento das famílias, já que alimentação representa cerca de 25% do custo de vida no país.

Exportações e perspectivas

As vendas externas cresceram 0,7% em 2025, somando US$ 66,73 bilhões. A Ásia seguiu como principal destino, com US$ 27,4 bilhões, puxada pela China (+28,4%). Os EUA importaram US$ 4,9 bilhões, alta de 9,2% mesmo com tarifas. O saldo comercial do setor foi de US$ 57,5 bilhões, o equivalente a 84,2% de todo o superávit da balança comercial brasileira.

Para 2026, a Abia projeta crescimento das vendas reais entre 2% e 2,5%, com geração de empregos entre 1% e 1,5%. “A combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e crescimento moderado cria condições mais previsíveis para o setor”, afirmou João Dornellas, presidente da Abia.

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