Foto: Reprodução/Metropolis Collectibles
Uma cópia original da revista Action Comics #1, que em 1938 apresentou o Super-Homem ao mundo, foi vendida por US$ 15 milhões (cerca de R$ 80,5 milhões) nesta sexta-feira (9), estabelecendo um novo recorde absoluto para quadrinhos. O valor supera com folga os US$ 9,12 milhões pagos por um exemplar de Superman #1 em 2024.
A revista, que originalmente custava apenas 10 centavos de dólar, é considerada o “Santo Graal” dos colecionadores. Estima-se que existam menos de 100 cópias originais sobreviventes no mundo. O exemplar que bateu o recorde tem uma história peculiar: foi comprado pelo ator Nicolas Cage em 1996 por US$ 150 mil, roubado de sua casa em 2000 e recuperado apenas em 2011, em um depósito na Califórnia.

A jornada de uma relíquia e a valorização do mito
A trajetória deste quadrinho específico é parte fundamental de seu valor astronômico. Após ser recuperada, a revista foi vendida por Cage por cerca de US$ 2,2 milhões em 2011. O sumiço de 11 anos e a fama do antigo dono alimentaram sua aura no mercado, transformando-a em um dos itens mais cobiçados do colecionismo global.
Analistas do setor apontam que o roubo e o longo período desaparecido paradoxalmente agregaram valor ao item, criando umanarrativa única que vai além da raridade em si. O episódio transformou uma relíquia histórica em um objeto de fascínio ainda maior, com uma trajetória digna de um enredo de cinema.
O que o recorde diz sobre o mercado de quadrinhos
A venda milionária consolida uma tendência de longa data: os quadrinhos raros da Era de Ouro (final dos anos 1930 aos 1950) se firmaram como ativos financeiros de alto padrão, comparáveis a obras de arte ou vinhos finos. O fator decisivo não é apenas a popularidade duradoura do personagem, mas a extrema escassez combinada com um significado histórico inigualável.
A Action Comics #1 não só deu origem ao Super-Homem, mas é amplamente creditada por criar todo o gênero dos super-heróis como o conhecemos hoje. Este contexto a coloca em um patamar à parte, imune às flutuações do mercado contemporâneo de quadrinhos.
O novo recorde também evidencia um fenômeno paradoxal para a indústria: o item mais valioso de todos remonta a 1938, sugerindo que o mercado de colecionismo premium valoriza mais a raridade histórica e a procedência do que a inovação narrativa recente. Enquanto o futuro da DC Comics e da indústria se debate com novas mídias, o passado mitológico do Homem de Aço atinge valores estratosféricos.A venda foi conduzida pelas casas de leilão Metropolis Collectibles e ComicConnect, e tanto o vendedor quanto o comprador optaram por permanecer anônimos. O recorde anterior para um quadrinho havia sido estabelecido há menos de um ano, indicando uma valorização contínua deste nicho de colecionismo.







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