Copom corta juros para 14,75% e condiciona próximos passos à guerra

BC reduz Selic em 0,25 ponto em decisão unânime, mas comunicado evita sinalizar novos cortes e condiciona continuidade do ciclo à evolução do conflito no Oriente Médio

Foto: Rmcarvalho/iStock

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O Copom decidiu nesta quarta (18) reduzir a Selic em 0,25 ponto, de 15% para 14,75% ao ano. Foi a primeira diminuição desde maio de 2024 e a decisão unânime confirmou a expectativa majoritária do mercado, que nas últimas semanas havia recomposto as apostas para um corte mais modesto.

O fantasma da guerra

O principal fator que moderou o ímpeto do Copom foi o agravamento do conflito entre EUA, Israel e Irã, que começou em 28 de fevereiro. A guerra provocou disparada nos preços do petróleo, com o barril do Brent acima de US$ 100 (valorização superior a 50% desde o início do conflito).

O temor é que a alta das commodities pressione combustíveis e inflação, pois dados da ANP mostram que o diesel nos postos subiu mais de 11% no país. No comunicado, o Copom afirmou que o aumento das incertezas exige cautela e não descartou rever o ciclo de baixa, se necessário.

Um comunicado diferente

Diferentemente das reuniões anteriores, o Copom não sinalizou novos cortes. O termo “calibração” substituiu palavras como “redução” no vocabulário do comitê. Os próximos passos dependerão da evolução do conflito e seus efeitos sobre a inflação brasileira.

Até o início de março, a aposta dominante era de corte de 0,5 ponto. A escalada da guerra reconfigurou o cenário. O Termômetro do Copom mostrou que 70% dos investidores passaram a apostar no corte de 0,25 ponto às vésperas da reunião. O boletim Focus já refletia o novo humor: projeção para inflação em 2026 subiu de 3,91% para 4,10%.

Brasil segue com segundo maior juro real do mundo

Mesmo com o corte, o Brasil mantém a segunda maior taxa de juro real entre as principais economias, atrás apenas da Turquia. Segundo MoneYou e Lev Intelligence, o juro real brasileiro é de 9,51%.

Analistas divergem sobre os próximos passos:

  • XP: projeta cortes de 0,5 ponto nas próximas reuniões, com Selic a 12,75%.
  • Banco Bmg: mantém projeção de ciclo de 3 pontos, com Selic a 12% no fim de 2026.
  • Ativa: projeta cortes de 0,75 ponto até novembro, encerrando o ano em 11%.

A reunião do Copom nos dias 28 e 29 de abril será decisiva para calibrar essas expectativas. Tudo dependerá, como o próprio comitê deixou claro, da “profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio”.

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