Correios suspendem empréstimo de R$ 20 bi após veto do Tesouro a juros altos

Tesouro Nacional não autorizou garantia para operação com taxa próxima de 136% do CDI, considerada excessiva

Foto: HVL/Wikimedia Commons

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A tentativa dos Correios de fazer um empréstimo de R$ 20 bilhões com um consórcio de cinco grandes bancos foi suspensa após o Tesouro Nacional vetar a operação. O órgão, ligado ao Ministério da Fazenda, se recusou a oferecer a garantia da União porque a taxa de juros proposta, que podia chegar a 136% do CDI (equivalente a cerca de 20% ao ano), ultrapassou o limite de 120% do CDI considerado aceitável para operações com aval público.

O consórcio era formado por Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra. A direção dos Correios, foi informada pela Fazenda de que não haveria flexibilização do limite, levando à interrupção das negociações.

Crise financeira agravada

A urgência pelo empréstimo reflete a grave situação financeira da estatal. Os Correios acumulam um prejuízo de R$ 6,05 bilhões apenas entre janeiro e setembro de 2025, devido à queda de receitas e aumento de despesas. A empresa registra perdas anuais desde 2022, e projeções internas indicam déficits ainda maiores sem um plano de recuperação.

Próximos passos e alternativas

Com a suspensão, os Correios buscam agora reabrir o diálogo com os bancos para tentar obter uma taxa de juros mais baixa ou mesmo fatiar a operação, começando por um valor menor. Três dos bancos do consórcio (BTG, Citibank e ABC Brasil) já mantêm um contrato de crédito de R$ 1,8 bilhão com a estatal, sem garantia da União, o que alimenta a expectativa de uma renegociação.

Paralelamente, a empresa trabalha em um plano de reestruturação que inclui corte de custos, programa de demissão voluntária, venda de imóveis e reorganização da rede. A estatal afirmou, em nota, que “segue trabalhando, em conjunto com os Ministérios, na avaliação de alternativas que reforcem a liquidez imediata”.

Risco de aporte do Tesouro

Sem o empréstimo e com a piora do caixa, cresce no governo a possibilidade de que o Tesouro precise fazer um aporte direto de recursos para que os Correios cumpram seus compromissos de curto prazo. É um cenário que a equipe econômica tenta evitar, mas que, segundo as fontes, já não está completamente descartado. Técnicos do governo admitem que o rombo da estatal pode ainda forçar uma revisão da meta de resultados das estatais em 2026, ano eleitoral.

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