Foto: Olya Solodenko/iStock
A 56ª edição do Fórum Econômico Mundial começou nesta segunda-feira (19) em Davos, na Suíça, reunindo cerca de 3 mil líderes políticos, executivos e representantes da sociedade civil. O evento, que tem como tema central “O Espírito do Diálogo”, ocorre em um cenário de acentuadas tensões geopolíticas e sob a expectativa do discurso do presidente americano, Donald Trump, marcado para quarta-feira (21), em seu retorno ao fórum após seis anos.
Maior delegação dos EUA da história e esquema de segurança reforçado
A participação de Donald Trump é um dos principais focos desta edição, não apenas pelo conteúdo político, mas pelo seu impacto operacional. O presidente desembarca nos Alpes suíços acompanhado da maior delegação oficial americana já registrada no evento, com mais de 300 pessoas. Sua presença elevou o nível de alerta e transformou a logística da região:
- Controles militares: O exército suíço montou postos de controle a vários quilômetros de Davos, revisando documentos e causando lentidão e congestionamentos nas estradas de acesso.
- Protestos anunciados: Manifestantes contrários ao que chamam de “ditadura do WEF” iniciaram marchas no fim de semana. A polícia se prepara para atos autorizados, como o da Juventude Socialista da Suíça, que deve ocorrer na cidade durante o fórum.
Trump deve focar em política interna e anúncios para eleitores americanos
A expectativa é que o discurso de Trump em Davos misture afirmação de poder global com mensagens voltadas para o eleitorado doméstico, em um ano de eleições legislativas de meio de mandato nos EUA. Analistas indicam que sua fala deve abordar:
- Política externa: Possíveis anúncios sobre o Conselho da Paz para Gaza e comentários sobre os conflitos na Ucrânia e Venezuela, além da recente polêmica com a Groenlândia.
- Agenda doméstica: Para enfrentar a preocupação dos americanos com o custo de vida, Trump deve anunciar planos que permitam o uso de poupanças de aposentadoria para a compra da entrada de imóveis, tentando reconectar-se com eleitores que se sentem impactados pela inflação.
Ausências e tensões geopolíticas pautam os bastidores
Enquanto Trump toma o centro do palco, outras questões delicadas marcam a agenda de conversas nos corredores do fórum:
- Irã fora do jogo: O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi “desconvidado” pelos organizadores após a violenta repressão do regime a protestos recentes no país. A exclusão foi aplaudida por figuras como o senador americano Lindsey Graham.
- Rússia ausente: O país segue boicotando o evento devido às sanções internacionais impostas desde a invasão da Ucrânia, mantendo a guerra como um tema central, porém com uma das partes fundamentais fora da discussão formal.
- Risco geoeconômico: Um relatório prévio do Fórum apontou a “confrontação geoeconômica” como o risco global de curto prazo mais crítico, superando até ameaças de guerra e desastres naturais, o que deve permear os debates sobre comércio e cadeias produtivas.
O Fórum Econômico Mundial tenta, assim, promover seu chamado ao diálogo em um mundo cada vez mais fragmentado, onde os holofotes midiáticos e as tensões políticas muitas vezes falam mais alto que as propostas de cooperação.







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