Foto: monkeybusinessimages/iStock
A inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta de curiosidade tecnológica para se tornar o motor principal de uma nova onda de desinformação no Brasil. Segundo o primeiro Panorama da Desinformação no Brasil, estudo do Observatório Lupa, os conteúdos falsos criados com IA mais do que triplicaram (aumento de 308%) entre 2024 e 2025. Em números absolutos, os casos checados saltaram de 39 para 159.
A mudança mais significativa, porém, não está apenas na quantidade, mas no propósito. Em 2024, a IA era usada majoritariamente para golpes financeiros, como deepfakes de celebridades promovendo investimentos fraudulentos. Já em 2025, virou uma arma política: quase 45% dos conteúdos tinham viés ideológico, ante 33% no ano anterior, marcando uma guinada estratégica no ecossistema desinformativo.
Lula, Bolsonaro e Moraes são os alvos preferenciais dos deepfakes
A pesquisa, que analisou 617 conteúdos verificados em 2025, aponta que mais de três quartos dos materiais falsos exploraram a imagem ou voz de figuras públicas, com políticos no centro do palco. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo em 36 ocorrências; o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 33; e o ministro do STF Alexandre de Moraes, em 30. O dado mostra como a tecnologia de deepfake, que edita rostos e vozes em vídeo de forma hiperrrealista, está sendo usada para criar narrativas políticas falsas e potencialmente inflamatórias.
WhatsApp perde espaço para redes de vídeo curto
Outra tendência mapeada pelo estudo é a migração das plataformas de desinformação. O WhatsApp, que em 2024 era o principal meio de difusão (quase 90% dos casos), viu sua participação cair para 46% em 2025. Segundo a Lupa, isso não indica uma redução de fakes no aplicativo, mas sim uma dispersão para outras redes. Plataformas de vídeo curto, como Kwai e TikTok, ganharam relevância na disseminação, ampliando o alcance e a velocidade com que conteúdos manipulados chegam ao público, especialmente entre os mais jovens.
O estudo reforça que o combate à desinformação agora precisa lidar com um inimigo mais sofisticado e disperso, onde a fronteira entre o real e o fabricado se torna cada vez mais difícil de discernir.






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