Foto: alffoto/iStock
O icônico orelhão, clássico da paisagem urbana brasileira por mais de cinco décadas, começa sua retirada definitiva. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu o prazo máximo de 31 de dezembro de 2028 para que os últimos telefones públicos de uso coletivo (TUPs) sejam desativados. A medida marca o fim de uma era, após o término dos contratos de concessão das operadoras em dezembro de 2025.
Extinção gradual mantém 9 mil unidades apenas em áreas sem sinal 4G
A retirada não será imediata nem total. De acordo com a Anatel, das cerca de 38 mil unidades que ainda existem no país, aproximadamente 9 mil orelhões permanecerão em funcionamento em localidades onde não haja ao menos cobertura de telefonia móvel 4G. Esses aparelhos, concentrados principalmente no estado de São Paulo, serão mantidos pelas operadoras como última opção de acesso à telefonia em regiões isoladas até o prazo final de 2028. A localização dos que ainda estão ativos pode ser consultada no site da agência.
Fim das concessões em 2025 e crise da Oi aceleraram o processo
A decisão está diretamente ligada ao encerramento, em dezembro de 2025, dos contratos de concessão que obrigavam as operadoras a manter a rede. A partir de então, empresas como Vivo, Algar e Claro/Telefônica passam a desligar suas redes ao longo de 2026. A Oi, que passa por processo de recuperação judicial desde 2016, detém a maior base remanescente (6.707 aparelhos) e a Sercomtel mantém cerca de 500 unidades no Paraná.
Recursos serão redirecionados para infraestrutura de banda larga e 4G
Em substituição à obrigação de manter os orelhões, as operadoras assumiram compromissos de investir em infraestrutura de telecomunicações. Os recursos serão direcionados para:
- Expansão de redes móveis: Implantação de antenas com tecnologia mínima 4G em localidades desassistidas.
- Fibra óptica: Levar a infraestrutura de banda larga a regiões que ainda não a possuem.
- Conectividade social: Garantir internet em escolas públicas.
- Outras obras: Construção de cabos submarinos, fluviais e data centers.
De ícone funcional a símbolo de nostalgia e cultura
Lançado em 1972 com design da arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, o orelhão chegou a ter mais de 1,5 milhão de unidades no país nos anos 2000. Sua função era vital em uma época pré-celular, sendo usado para chamadas urgentes, a cobrar e para combinar encontros. Recentemente, o objeto ganhou novo destaque ao aparecer no cartaz do filme “O Agente Secreto”, estrelado por Wagner Moura e premiado mundo afora, reforçando seu status como símbolo cultural e de nostalgia.







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