Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom | Agência Brasil
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi enfático ao afirmar que o BC não está enviando sinais sobre os próximos passos da política monetária. Durante evento em São Paulo nesta quarta-feira (12), declarou: “Se você entendeu algum sinal na comunicação sobre o futuro, entendeu errado”, reforçando o compromisso da autarquia com uma postura “humilde e modesta perante a incerteza”.
Ataque à desancoragem e defesa de juros restritivos
Galípolo destacou que o BC permanece “desconfortável com a desancoragem das expectativas” de inflação em todos os horizontes. Justificou a manutenção da Selic em 15% ao ano ao afirmar que “está bem claro porque estamos com taxa de juros em patamar restritivo”, citando que as projeções de inflação para 2025 (4,55%), 2026 (4,20%) e 2027 (3,8%) permanecem acima da meta de 3%.
Resposta a Haddad e críticos
Questionado sobre as declarações do ministro Fernando Haddad e sindicatos que defendiam o início dos cortes, Galípolo respondeu que “todo mundo pode brigar com o BC, o BC que não pode brigar com os dados”. Ele ressaltou que até as projeções da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda apontam inflação de 3,5% para 2026, acima do centro da meta.
Efeitos graduais e dependência de dados
O presidente do BC reconheceu que a política monetária tem atuado de forma “lenta e gradual” sobre a economia, gerando desaceleração sem causar recessão. Sobre a incorporação preliminar da isenção do IR nas projeções, explicou que segue a mesma abordagem adotada com outras medidas: “Vamos continuar assistindo para entender qual é o impacto efetivo”.
Meta contínua e horizonte de atuação
Galípolo lembrou que o BC já mira o segundo trimestre de 2027 em suas decisões, dado que os efeitos da Selic levam “6 a 18 meses” para impactar plenamente a economia. A manutenção da taxa em patamar restritivo reflete essa visão de futuro, com foco na convergência das expectativas para a meta.







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