Governo confirma mínimo de R$ 1.621 para 2026, com custo fiscal de R$ 43 bi

Reajuste do piso nacional segue a regra fiscal, mas impacta o Orçamento e fica distante do valor necessário para uma família, segundo cálculos do Dieese

Foto: Andrzej Rostek/iStock

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O Ministério do Planejamento confirmou nesta quarta-feira (10) que o salário mínimo para 2026 será fixado em R$ 1.621. O valor representa um aumento de R$ 103 (ou 6,79%) sobre o piso atual de R$ 1.518. O reajuste valerá a partir de janeiro, sendo pago em fevereiro.

A correção segue a fórmula legal: a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro (4,18%) mais o crescimento real do PIB de dois anos antes. O PIB de 2024 cresceu 3,4%, mas o arcabouço fiscal impõe um limite de 2,5% para o ganho real. O cálculo final (4,18% + 2,5%) e um arredondamento legal chegam aos R$ 1.621.

Impacto direto e indireto

O novo piso serve de referência para 59,9 milhões de pessoas, segundo o Dieese, incluindo trabalhadores formais, aposentados e beneficiários do BPC. O aumento, no entanto, pressiona as contas públicas: estimativas do governo indicam que cada R$ 1 de aumento no mínimo gera cerca de R$ 420 milhões em despesas obrigatórias no ano. Com a alta de R$ 103, o impacto fiscal projetado para 2026 é de aproximadamente R$ 43,2 bilhões.

A disputa por recursos

Esse movimento eleva automaticamente os gastos obrigatórios (como previdência e benefícios), reduzindo a margem para investimentos do governo. Enquanto alguns economistas defendem desvincular benefícios do mínimo para aliviar o Orçamento, o Dieese estima que um salário mínimo realmente necessário para uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.067,18, quase cinco vezes o valor que vigorará em 2026.

A confirmação do valor também obrigará uma revisão na proposta orçamentária para 2026, que havia projetado um piso ligeiramente maior, de R$ 1.627.

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