Inflação acelera para 0,88% em março com pressão de combustíveis e alimentos

Alta foi puxada por gasolina, leite e tomate, que juntos responderam por quase metade do índice; IPCA acumula 4,14% em 12 meses

Foto: Alfribeiro/iStock

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A inflação oficial do país voltou a acelerar em março. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,88% no mês, acima dos 0,70% registrados em fevereiro, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (10). O avanço foi puxado principalmente pelos grupos de Transportes e Alimentação e bebidas, que juntos responderam por 76% do índice no período.

No ano, o IPCA acumula alta de 1,92%. Em 12 meses, o índice chega a 4,14%, ante 3,81% no mês anterior, indicando uma tendência de aceleração recente.

O que puxou a inflação

O principal destaque veio dos combustíveis. A gasolina subiu 4,59% e teve impacto de 0,23 ponto percentual no IPCA, sendo o principal impacto individual no resultado. O diesel avançou 13,90%, e as passagens aéreas subiram 6,08%.

No grupo Alimentação e bebidas, itens básicos exerceram pressão relevante. O leite longa vida registrou alta de 11,74%, enquanto o tomate subiu 20,31%. Esses produtos, somados aos combustíveis e às passagens aéreas, responderam por quase metade da inflação do mês.

Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, o comportamento dos preços já reflete incertezas no cenário internacional, especialmente no caso dos combustíveis. “Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas no cenário internacional”, afirmou.

Os dados regionais

Entre as regiões pesquisadas, Salvador apresentou a maior inflação em março (1,47%), impulsionada principalmente pela alta da gasolina e das carnes. Já Rio Branco teve a menor variação (0,37%), beneficiada pela queda nos preços da energia elétrica e de alimentos como frutas.

São Paulo e Rio de Janeiro registraram alta de 0,78%, abaixo da média nacional, enquanto Belo Horizonte apresentou variação ligeiramente superior, de 0,93%.

O impacto para as famílias de menor renda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda, subiu 0,91% em março, acima dos 0,56% de fevereiro. No acumulado de 12 meses, o índice alcança 3,77%.

A principal diferença em relação ao IPCA está no maior peso dos alimentos no cálculo do INPC. O grupo alimentício saltou de 0,26% em fevereiro para 1,65% em março, reforçando o impacto mais intenso da alta de preços sobre as famílias de menor renda.

O que esperar

O resultado de março já reflete, ao menos em parte, os primeiros impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços de combustíveis e transportes. Com o cessar-fogo recente, o mercado acompanha se as pressões arrefecem nos próximos meses. No entanto, os efeitos sobre alimentos, que dependem de fretes e fertilizantes, podem demorar mais a se dissipar.

O dado será acompanhado de perto pelo Banco Central, que já sinalizou que pode rever o ritmo de corte da Selic caso a inflação acelere acima do esperado.

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