Foto: Fahroni/iStock
A inflação oficial do Brasil cumpriu a meta em 2025, fechando o ano em 4,26%, abaixo do teto de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O IPCA de dezembro, que subiu 0,33%, consolidou o quinto menor resultado anual desde a implantação do Plano Real e veio abaixo das expectativas do mercado.
O dado positivo, porém, mascara uma dinâmica de preços em duas velocidades. Enquanto itens essenciais como alimentos domésticos apresentaram forte desaceleração, serviços pessoais e tarifas de energia elétrica continuaram a pressionar o orçamento familiar e a chamar a atenção do Banco Central.
Os lados opostos da inflação em 2025
O resultado anual foi moldado por pressões setoriais muito distintas, que podem ser resumidas em dois blocos principais.
O lado da pressão: Quatro grupos foram responsáveis por aproximadamente 64% da inflação total do ano e tiveram altas expressivas:
- Habitação: Alta de 6,79%, puxada principalmente pela energia elétrica residencial, que subiu 12,31% e foi o item de maior impacto individual no ano.
- Educação: Variação de 6,22%.
- Despesas pessoais: Avanço de 5,87%.
- Saúde e cuidados pessoais: Alta de 5,59%.
O lado do alívio: Em contraste, o grupo de Alimentação e Bebidas freou significativamente. Após uma alta de 7,69% em 2024, subiu apenas 2,95% em 2025. O alívio veio principalmente da alimentação no domicílio (alta de 1,43%), com destaque para quedas expressivas no arroz (-26,56%) e no leite longa vida (-12,87%).
O desafio dos serviços e o horizonte dos juros
Um foco central para a política monetária segue sendo o núcleo de serviços. Esse agregado, que reflete a dinâmica da demanda interna e do mercado de trabalho, acelerou de 4,78% em 2024 para 6,01% em 2025, com itens como transporte por aplicativo disparando mais de 56%.
Essa persistência mantém o Banco Central em estado de cautela. A expectativa majoritária do mercado financeiro é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa Selic inalterada na reunião de janeiro, iniciando um ciclo de cortes apenas em março. As projeções do Relatório Focus apontam para uma inflação de 4,06% em 2026.
O cumprimento da meta em 2025 é um marco importante, mas a pressão contínua em setores menos sensíveis a curto prazo aos juros indica que o caminho para estabilizar os preços no centro da meta de 3% ainda requer paciência e sinaliza uma desaceleração monetária gradual.







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