Foto: Liliia Bila
Nos últimos anos, o varejo brasileiro passou por uma transformação tecnológica, comportamental e operacional. A velocidade das mudanças exigiu que empreendedores buscassem modelos de expansão mais flexíveis, mais sustentáveis e mais alinhados à realidade do dia a dia. E, nesse movimento, uma pergunta vem ganhando força: qual modelo impulsiona melhor o varejo atual: licenciamento ou franquia?
Depois de observar de perto as dores dos operadores, os custos envolvidos e a dinâmica real das lojas, cheguei a uma conclusão clara: o Brasil precisa de modelos mais leves, menos engessados e que devolvam autonomia ao empreendedor.
Atualmente, não podemos negar que as franquias apresentam um espaço relevante no mercado varejista. Segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising), o faturamento das franquias no Brasil chegou a R$ 273 bilhões em 2024.
Porém, o modelo de expansão por licenciamento vem ganhando espaço ao oferecer vantagens que se conectam diretamente às necessidades atuais do varejo de proximidade, com inovação, agilidade e escalabilidade para empreendedores:
Flexibilidade
O varejo moderno exige adaptação rápida. Mudou o perfil do cliente, mudaram os hábitos de compra, mudaram as expectativas de serviço. Muitas vezes, a estrutura tradicional de franquias com taxas elevadas, padronização rígida, multas e obrigações contratuais pesadas pode não estar alinhada com a velocidade de evolução.
Hoje, o operador não quer apenas seguir um manual, ele quer entender o bairro, ajustar mix, testar formatos, mudar preços quando necessário.
Custos
Margem é tudo no varejo. E quando o empreendedor começa sua jornada já carregando taxas de franquia, royalties, fundo de propaganda e obrigações contratuais, ele parte com déficit. Encontramos no mercado modelos de licenciamento que reduzem drasticamente essas barreiras. Sem taxas extras e ocultas, sem multas pesadas e com contratos mais simples, o empreendedor consegue investir mais em estoque, atendimento, estrutura e tecnologia.
Isso não só aumenta a margem, mas também reduz o risco de mortalidade precoce nas empresas, um problema histórico no Brasil. De acordo com a pesquisa Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2022, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de seis em cada dez empresas (ou seja, 60% delas) não conseguem permanecer ativas após cinco anos de existência.
Identidade local
O consumidor brasileiro tem uma relação forte com o comércio do bairro.
É a padaria “de sempre”, o mercadinho conhecido, o atendimento próximo. Modelos mais rígidos frequentemente eliminam essa identidade local em nome de um padrão único. Mas o varejo atual mostra o contrário: personalização e relevância local vendem mais do que padronização absoluta.
Ao permitir que o empreendedor utilize sua própria marca quando esta já é forte, é possível criar uma conexão real com o cliente, algo que não se compra com manuais.
Tecnologia
Se existe um fator que define o varejo hoje, é tecnologia: Pagamento digital, autosserviço, gestão de estoque, análise de dados. E para funcionar, precisa ser própria, integrada e com suporte rápido. Não dá para depender de uma central distante ou de terceirizados que não entendem o negócio.
Alguns modelos costumam facilitar esse acesso ao operador com suporte mais direto, atualizações rápidas e ajustes feitos conforme feedback real das lojas. É tecnologia pensada para quem opera, não apenas para quem supervisiona.
É assim que o varejo cresce. O Brasil precisa de modelos que libertem. As franquias continuam a impulsionar o setor brasileiro de forma relevante. Porém, precisamos estabelecer estruturas no varejo de proximidade que reduzam custo de entrada, devolvam autonomia ao operador, priorizem tecnologia e suporte, valorizem identidade local e permitam evolução rápida.
No fim, a pergunta não é sobre “qual modelo é melhor?”, mas sim: “qual modelo prepara melhor o varejo brasileiro para crescer daqui pra frente?”







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