Foto: Thales Antonio/iStock
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou categoricamente a privatização dos Correios durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (18), no Palácio do Planalto. Em meio à grave crise financeira da estatal, Lula afirmou que o governo trabalha em uma reestruturação para que a empresa “fique sarada, totalmente de pé e produtiva para o país”, mas rejeitou a venda do controle.
“Enquanto eu for presidente, não tem privatização. O que pode ter é construção de parcerias”, declarou. “Pode existir parceria, pode transformar a empresa em empresa de economia mista, mas privatização não vai ter.”
Crise atribuída a “gestão equivocada”
Lula atribuiu os prejuízos recorrentes dos Correios a uma “gestão equivocada” e afirmou que o governo tomará as medidas necessárias para reverter o quadro. “Vamos tomar as medidas que tiver que tomar, mudar todos os cargos que tiver que mudar”, disse.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, foi designada para conduzir a solução da crise. O novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apontou a crescente concorrência no e-commerce e anos de incerteza sobre a privatização como fatores que agravaram a situação.
O plano de recuperação e o empréstimo bilionário
A estatal busca urgentemente um empréstimo de R$ 12 a R$ 20 bilhões para financiar sua recuperação. O Conselho de Administração já aprovou uma operação de R$ 12 bilhões com um consórcio de cinco bancos, mas a liberação depende do aval do Tesouro Nacional, que só será concedido após a apresentação de um plano de reestruturação considerado viável.
As principais medidas em discussão incluem:
- Redução de custos: Plano de Demissão Voluntária (PDV) que pode atingir até 15 mil funcionários até 2027 e fechamento de aproximadamente mil agências.
- Aumento de receitas: Ampliação de parcerias com a iniciativa privada para diversificar serviços.
- Meta: Retornar ao lucro até 2027.
Lula defende equilíbrio das estatais
Durante a coletiva, Lula defendeu que empresas públicas devem buscar o equilíbrio financeiro. “Uma empresa pública não precisa ser a rainha do lucro, mas ela não pode ser a rainha do prejuízo. Ela tem que se equilibrar”, afirmou.
Paralelamente à crise dos Correios, o governo publicou um decreto que facilita a reestruturação de estatais federais em dificuldades, permitindo que elas se reordenem sem serem automaticamente reclassificadas como dependentes do Tesouro.O futuro dos Correios, portanto, segue um caminho de profunda reestruturação e possível abertura a sócios privados, mas com a manutenção do controle estatal, conforme a determinação do Planalto.







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