Maturidade digital no Brasil avança, mas 90% das empresas ainda engatinham

Estudo da EY com 177 líderes aponta que setores financeiro (46%), varejo (45%) e telecom (43%) lideram a digitalização no país

Foto: Goroden Koff/iStock

Foto: Goroden Koff/iStock

O Brasil tem um desafio estrutural quando o assunto é transformação digital. Pesquisa da EY com 177 líderes de empresas brasileiras mostra que, embora 88% dos executivos reconheçam a inovação tecnológica como foco global, o país ainda apresenta uma maturidade digital concentrada em poucos setores.

Os segmentos mais maduros digitalmente são o financeiro (46%), o varejo (45%) e o de telecomunicações (43%). Juntos, esses setores representam apenas 24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que significa que a base da economia ainda opera com baixo nível de digitalização.

Onde está o gargalo

escassez de profissionais qualificados é um dos principais entraves. O Brasil forma pouco mais de 53 mil profissionais de tecnologia por ano, enquanto o mercado demanda especialistas em áreas como desenvolvimento de aplicativos, análise de dados e segurança da informação. O déficit já ultrapassa 500 mil vagas abertas por falta de gente preparada.

Estudo da Equinix aponta que 52% dos executivos consideram a falta de pessoal qualificado o maior desafio para a transformação digital. Outros obstáculos incluem infraestrutura tecnológica obsoleta (42%), estrutura organizacional inadequada (58%) e aversão ao risco (49%).

Os níveis de maturidade digital

Pesquisa da F5 com 713 líderes globais de tecnologia (25 deles brasileiros) classificou as empresas em três perfis de maturidade digital:

  • Realizadores (29%): empresas que se destacam por sua maturidade digital, com governança de dados consolidada, políticas de segurança avançadas e uso estruturado de IA.
  • Experimentadores (54%): organizações que buscam evoluir para aplicações mais avançadas de tecnologia, mas ainda não alcançaram o estágio mais maduro.
  • Atrasados (17%): empresas iniciando o uso de IA, atuando de forma menos estruturada e constante.

O estudo mostra que a maturidade digital permeia todas as áreas da organização. É raro que uma empresa classificada como “Atrasada” tenha desempenho superior em alguma categoria específica.

A desigualdade digital no Brasil

A transformação digital no país também esbarra em problemas estruturais de conectividade. Estudo da PwC em parceria com o Instituto Locomotiva aponta que, enquanto praticamente 100% dos brasileiros da classe A estão conectados, entre as classes D e E esse percentual cai para 64% .

Mais de 8 milhões de estudantes (cerca de 21% dos alunos das redes municipais e estaduais de educação básica) frequentam escolas sem acesso à banda larga. No ensino médio, uma em cada quatro escolas ainda não possui internet adequada para atividades pedagógicas. 

Mas a infraestrutura de conectividade tem avançado: o Brasil já possui mais de 1.500 municípios com cobertura ativa de 5G, e cerca de 70% da população tem acesso à nova geração de redes móveis. O número de conexões por fibra óptica ultrapassou 45 milhões.

O que esperar

Para especialistas, o Brasil precisa enfrentar o desafio da qualificação da força de trabalho e da modernização tecnológica para não ficar para trás na corrida global pela inovação. O país forma apenas 53 mil profissionais de tecnologia por ano, enquanto o déficit ultrapassa meio milhão de vagas, um gargalo que exige políticas estruturais de educação e formação.

As empresas que conseguirem avançar em sua jornada digital obtêm benefícios claros: automação de processos pode resultar em ganhos de produtividade de até 30%, segundo a McKinsey, permitindo que as organizações respondam rapidamente às demandas do mercado e aumentem sua competitividade.

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