Foto: Testarossa/Divulgação
Depois de uma década marcada por excessos visuais, técnicas performáticas e drinks pensados para a câmera do celular, a coquetelaria entra em 2026 em um novo estágio. Mais madura e menos impressionista, ela passa a se organizar em torno de um valor central: criar vínculo. O foco deixa de ser a pirotecnia e passa a ser a experiência, entendida como tempo compartilhado, clareza de proposta e prazer genuíno.
Para Ariel Todeschini, eleito o melhor bartender do Brasil no World Class 2025 e à frente do Testarossa, em Curitiba (PR), essa virada não é estética, mas cultural. “A coquetelaria entra numa fase mais honesta. Em vez de tentar impressionar o tempo todo, os bares passam a criar experiências com mais intenção e menos artifício”, afirma.

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- Conceitos que aproximam, não afastam
Uma das mudanças mais visíveis está na forma como os bares se apresentam ao público. “A ideia não é fazer o cliente ‘estudar’ o menu, mas se sentir à vontade com ele”, afirma Todeschini. Linguagem simples, referências próximas e propostas fáceis de entender criam um ambiente mais aberto, onde todo mundo se sente incluído. “O bar vira um lugar de encontro, não de decifração”, complementa.
- Visual limpo, sabor intenso
Essa busca por clareza também aparece na estética dos drinks. Em 2026, a apresentação tende a ficar mais minimalista: copos simples e assertivo, menos adornos e nada que esteja ali apenas para cumprir função visual. Em contrapartida, o sabor ganha protagonismo.
“Menos enfeite, mais conteúdo”, resume o bartender. Os coquetéis apostam em camadas bem construídas, equilíbrio e personalidade. “A surpresa deixa de estar no que chega à mesa e passa a acontecer no paladar”, ressalta o especialista.
- A experiência antes do instagramável
A lógica se inverte: o registro deixa de ser o objetivo e passa a ser consequência. Depois de anos pensando na foto, o foco volta para a experiência e o bar volta a ser um espaço de conversa e de presença. “O serviço, o clima e o tempo que você passa ali importam mais do que o quão fotogênico o drink é”, explica. “Se a experiência for boa, a foto acontece naturalmente. E, se não acontecer, tudo bem”, complementa.
- Ingredientes locais no centro da narrativa
Outra tendência que ganha força é o uso de ingredientes locais como base criativa. Frutas, ervas, fermentados e destilados regionais deixam de ocupar um papel decorativo e passam a estruturar a carta. “Isso traz identidade, frescor e uma conexão real com o lugar. O drink passa a contar a história de onde ele nasceu e dá caráter ao arco narrativo”, completa Ariel Todeschini.





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