Menos pirotecnia, mais vínculo: 4 tendências da coquetelaria para 2026

Para o bartender Ariel Todeschini, bares estão deixando o espetáculo de lado e passando a priorizar identidade, clareza e experiências que convidam à permanência

Foto: Testarossa/Divulgação

Foto: Testarossa/Divulgação

Depois de uma década marcada por excessos visuais, técnicas performáticas e drinks pensados para a câmera do celular, a coquetelaria entra em 2026 em um novo estágio. Mais madura e menos impressionista, ela passa a se organizar em torno de um valor central: criar vínculo. O foco deixa de ser a pirotecnia e passa a ser a experiência, entendida como tempo compartilhado, clareza de proposta e prazer genuíno.

Para Ariel Todeschini, eleito o melhor bartender do Brasil no World Class 2025 e à frente do Testarossa, em Curitiba (PR), essa virada não é estética, mas cultural. “A coquetelaria entra numa fase mais honesta. Em vez de tentar impressionar o tempo todo, os bares passam a criar experiências com mais intenção e menos artifício”, afirma.

Foto: Ale Virgilio
O premiado bartender Ariel Todeschini. Foto: Ale Virgilio

Quer se aprofundar no assunto? Confira 4 dicas infalíveis do melhor bartender do Brasil:

  1. Conceitos que aproximam, não afastam

Uma das mudanças mais visíveis está na forma como os bares se apresentam ao público. “A ideia não é fazer o cliente ‘estudar’ o menu, mas se sentir à vontade com ele”, afirma Todeschini. Linguagem simples, referências próximas e propostas fáceis de entender criam um ambiente mais aberto, onde todo mundo se sente incluído. “O bar vira um lugar de encontro, não de decifração”, complementa.

  1. Visual limpo, sabor intenso

Essa busca por clareza também aparece na estética dos drinks. Em 2026, a apresentação tende a ficar mais minimalista: copos simples e assertivo, menos adornos e nada que esteja ali apenas para cumprir função visual. Em contrapartida, o sabor ganha protagonismo.

“Menos enfeite, mais conteúdo”, resume o bartender. Os coquetéis apostam em camadas bem construídas, equilíbrio e personalidade. “A surpresa deixa de estar no que chega à mesa e passa a acontecer no paladar”, ressalta o especialista.

  1. A experiência antes do instagramável

A lógica se inverte: o registro deixa de ser o objetivo e passa a ser consequência. Depois de anos pensando na foto, o foco volta para a experiência e o bar volta a ser um espaço de conversa e de presença. “O serviço, o clima e o tempo que você passa ali importam mais do que o quão fotogênico o drink é”, explica. “Se a experiência for boa, a foto acontece naturalmente. E, se não acontecer, tudo bem”, complementa.

  1. Ingredientes locais no centro da narrativa

Outra tendência que ganha força é o uso de ingredientes locais como base criativa. Frutas, ervas, fermentados e destilados regionais deixam de ocupar um papel decorativo e passam a estruturar a carta. “Isso traz identidade, frescor e uma conexão real com o lugar. O drink passa a contar a história de onde ele nasceu e dá caráter ao arco narrativo”, completa Ariel Todeschini.

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