Foto: hirun/iStock
O governo dos Estados Unidos está em alerta. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, convocaram uma reunião de emergência com os CEOs dos maiores bancos americanos na última terça-feira (7) para discutir os riscos apresentados pelo Mythos, novo modelo de inteligência artificial da Anthropic.
A reunião, realizada na sede do Tesouro em Washington, foi organizada em cima da hora para garantir que as instituições financeiras mais importantes do país estejam cientes das ameaças potenciais e tomem precauções para proteger seus sistemas.
O que o Mythos é capaz de fazer
O Mythos é um modelo de uso geral, mas suas capacidades mais preocupantes estão na área de segurança cibernética. Segundo a Anthropic, o modelo é “impressionantemente capaz” em tarefas de segurança de computadores. Testes internos mostraram que o Mythos consegue:
- Identificar e explorar vulnerabilidades em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web quando direcionado por um usuário.
- Encontrar bugs “zero-day” (falhas de segurança desconhecidas pelos desenvolvedores) em códigos de código aberto. Em alguns casos, o modelo encontrou vulnerabilidades com até 27 anos de existência.
- Escrever código automaticamente para realizar ataques cibernéticos. Em um teste, o Mythos conseguiu criar 181 códigos de ataque utilizáveis, enquanto a versão anterior do modelo (Opus 4.6) teve sucesso em apenas 2 de centenas de tentativas.
Mais de 99% das vulnerabilidades que o Mythos consegue detectar ainda não foram corrigidas.
A reação do governo e dos bancos
A reunião convocada por Bessent e Powell incluiu os CEOs de bancos considerados “sistemicamente importantes” pelos reguladores, ou seja, instituições cuja instabilidade poderia ter consequências para todo o sistema financeiro global.
Estiveram presentes os chefes do Citigroup, Morgan Stanley, Bank of America, Wells Fargo e Goldman Sachs n reunião, onde o governo deixou claro que os bancos precisam estar preparados para um novo tipo de ameaça: ataques aumentados por IA que podem causar interrupções relâmpago, manipulação de ordens, roubo de dados proprietários e até falhas de liquidação. Qualquer um desses cenários poderia desencadear crises de liquidez ou pânico nas vendas.
Por que o Mythos não foi lançado ao público
A própria Anthropic reconheceu o perigo. Por isso, a empresa não fez um lançamento amplo do Mythos. O acesso será limitado a cerca de 40 empresas de tecnologia, incluindo Microsoft, Google, Apple e Amazon, além de uma instituição financeira: o JPMorgan Chase.
O projeto se chama “Project Glasswing” e a ideia é usar o próprio Mythos para ajudar a proteger os sistemas mais críticos antes que modelos igualmente poderosos se tornem amplamente disponíveis para criminosos.
A Anthropic afirmou que manteve discussões com autoridades americanas antes do lançamento sobre as “capacidades ofensivas e defensivas” do modelo.
O contexto jurídico
A reunião de emergência ocorre em meio a um contencioso entre a Anthropic e o governo Trump. O Pentágono classificou a empresa como um “risco para a cadeia de suprimentos” no início de março, o que proíbe o Departamento de Defesa e seus contratantes de usar sua tecnologia.
A Anthropic processou o governo, alegando retaliação por suas restrições ao uso militar de sua IA. Na última terça-feira (7), o mesmo dia da reunião com os bancos, um tribunal federal de apelações negou o pedido da empresa para suspender temporariamente a designação do Pentágono.






Deixe um comentário