Foto: Nubank/Divulgação
O Nubank deu um passo concreto para internacionalizar seu balanço. A fintech brasileira anunciou um plano de investimentos de US$ 4,2 bilhões no México até 2030, sendo US$ 2,5 bilhões destinados a gastos estratégicos nos próximos quatro anos. O montante inclui o que já foi aportado e projeta a operação como pilar de crescimento fora do Brasil.
A movimentação acontece em um momento de maturação acelerada da subsidiária mexicana. Com quase 14 milhões de clientes, o Nu México já representa 14% da população adulta do país e é a terceira maior emissora de cartões de crédito do mercado local. O ritmo de adição de 1 milhão de novos clientes por trimestre supera o desempenho do Brasil em estágio equivalente.
Números mostram eficiência e monetização mais rápida
Os indicadores financeiros reforçam a tese de que o México não é apenas uma aposta, mas uma operação já madura. O ARPAC (receita média mensal por cliente ativo) atingiu US$ 12,5 no terceiro trimestre de 2025, quase o dobro dos US$ 6,7 que o Brasil registrava no mesmo estágio de desenvolvimento. O custo de atendimento caiu de US$ 3 para US$ 1 em quatro anos.
Outro dado relevante: os depósitos atuais no México são o triplo do que o Brasil tinha no terceiro trimestre de 2019, quando a operação brasileira estava no mesmo patamar de clientes. Cerca de 78% dos clientes estão fora das grandes cidades e quase 50% tiveram seu primeiro cartão de crédito com o Nubank.
Licença bancária abre nova fronteira
Aprovada em abril de 2025, a licença bancária coloca o Nu México na fase final de preparação para operar como banco pleno ainda em 2026. A transição permitirá:
- Portabilidade de salário.
- Aumento dos limites de depósito.
- Proteção adicional pelo seguro IPAB (equivalente mexicano do FGC).
Com isso, o Nubank poderá competir de forma mais agressiva com a banca tradicional mexicana e avançar sobre produtos de maior complexidade e rentabilidade.
O que está por trás da aposta
O México é a segunda maior economia da América Latina, com PIB per capita superior ao brasileiro e um sistema financeiro ainda altamente concentrado e com baixa penetração digital. O dinheiro em espécie, segundo o próprio CEO do Nu México, segue como “principal concorrente”.A aposta é clara: repetir no México o movimento que revolucionou o mercado brasileiro, mas com uma curva de aprendizado mais curta, eficiência operacional maior e uma base de clientes que já chega na casa dos 14 milhões. O Nubank não está mais testando o território mexicano, mas sim, ocupando-o.






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