O peso da memória no bolso: por que celular e computador estão mais caros

Aumento do imposto de importação e disparada no custo dos chips, graças à corrida por IA, aumentam a conta para o consumidor

Imagem: ismagilov/iStock

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O consumidor brasileiro encontrou uma surpresa desagradável nos últimos meses: celulares, computadores e videogames estão mais caros. A explicação está em dois fenômenos que se combinam: uma crise global de semicondutores impulsionada pela inteligência artificial e o aumento nas tarifas de importação decidido pelo governo federal.

O fenômeno global

A demanda por infraestrutura de IA virou o mercado de chips de cabeça para baixo. OpenAI, Google e Microsoft estão absorvendo grande parte da produção global de memórias para abastecer seus data centers, e as fabricantes preferem atender contratos bilionários a produzir para o consumidor final.

Os números impressionam: os preços dos chips de memória subiram até 300% em dois anos. A memória RAM hoje representa de 15% a 20% do custo de um smartphone, o que representa o dobro de antes. Fabricantes já reagem: Dell e Lenovo preveem aumentos de até 20% no início de 2026, e as vendas globais de PCs e smartphones devem recuar.

O fator Brasil

Enquanto o mundo enfrenta escassez, o governo brasileiro aumentou o Imposto de Importação sobre mais de mil produtos, incluindo celulares, computadores e componentes eletrônicos. As alíquotas foram elevadas para até 25%, com a justificativa de proteger a indústria nacional e gerar R$ 14 bilhões aos cofres públicos.

O secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC afirma que o impacto nos preços será “zero”. Importadores e especialistas discordam: mesmo itens produzidos localmente dependem de componentes importados que ficarão mais caros.

A conta que chega

A combinação dos dois fatores cria um cenário inédito, com insumos mais caros globalmente e tarifas mais altas localmente. Projeções indicam que a escassez deve persistir até 2028. Para o consumidor, a orientação é adiar upgrades não essenciais e extrair ao máximo do que se tem.

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